8 de dezembro de 2008

Babel



Uma coisa é certa: é impossível ficar arredio às histórias narradas no filme Babel (drama de 2006 dirigido por Alejandro González Iñárritu e com roteiro de Guillermo Arriaga). Um sucessão de fatos, inicialmente isolados e fora de sequência, levam-nos a pensar seriamente em nossos valores morais-éticos. A todo tempo eu me esqueci que estava assistindo a um filme, pois a sensação que tinha era de estar vendo um documentário jornalístico-social. Personagens locais foram usados em várias cenas, dando assim um ar verossímel e profundo às atitudes entrelaçadas dos fatos.

Brad Pitt, que até então eu o considerava apenas um ícone contemporâneo de beleza capitalista, vive com verdade o personagem Richard Jones, é convincente e muito criterioso ao dar uma sensibilidade coerente de marido arrependido. Cate Blanchett dá um show delirante e realista que extrapola aos limites do verdadeiro, ela vive Susan Jones, uma mãe triste e sofrida, muito apaixonada pela marido. A vida de ambos jamais será a mesma diante dos fatos que os envolvem.

Universos diferentes são abordados - um deserto no Marrocos; uma cidade no Japão e uma cidade próxima a Tijuana no México. Estilos de vida antagônicos, mas com pontos dramáticos convergentes. Atores talentosos são usados em todas as cenas. Um cinema marginal até certo ponto, com toques de urbanidade. O diretor mexe com nossos brios morais. Flerta com o incesto entre irmãos, brinca com as drogas, ironiza o terrorismo, satiriza o desejo de viver nos EUA, fala pelos cotovelos com a personagem surda-muda que dá-nos maestria cênica... mostra-nos uma realidade que tentamos esconder o tempo todo, talvez por medo, talvez por dor.

Não quero estragar o prazer de quem ainda não assistiu ao filme, muito menos focalizar o meu unilateral ponto de vista.

Até que ponto uma atitude nossa é responsável por desencadear uma desgraça alheia como num efeito dominó?

Para quem gostar, vale assistir aos outros dois filmes do mesmo diretor - que a meu modo encerra uma trilogia imperdível: Amores Brutos e 21 gramas.

Prepare-se, pois o seu modo de ver a vida será, no mínimo, questionado. Seja forte, insista.

Este é o papel real do cinema: educar, questionar, vivenciar... transgredir.

Encerro com uma pergunta: para você por que o diretor nomeou o filme de BABEL?

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Flávio