30 de dezembro de 2008

E agora..?




E agora, Santa?
A ceia acabou
Os presentes abertos
O peru assassinado
O chester devorado
As sementes (uva) embrulhadas
O vinho entornado
Os abraços dados
Os beijos selados
Sorrisos dispersados


E agora, Noel?
Luzes e cores distribuídas
Árvores montadas
Sonhos vendidos
Esperanças renovadas
Rancores abandonados


E agora, Papai?
O ano acabou
O champagne estourou
Taças tilintaram
Espumas derramaram
O branco imperou
As ondas puladas
Farofas oferecidas
Despachos criados
Tambores ritmados
Dólar subindo
Crise chegando


E agora, Brasil?

22 de dezembro de 2008

Madonna beija Jesus


Foto tirada no show do dia 18/12/2008 no Morumbi - platéia VIP



Ela desceu do Olimpo e até ousou beijar um mortal. O escolhido foi Jesus Luz - nenhum outro seria mais apropriado!

Para uma sessão de fotos, feita no Hotel Glória no Rio de Janeiro, ela escolheu dentre tantas opções do casting um modelo brasileiro para o trabalho. Quando descobriu que o nome dele era Jesus Luz, ela disse que não podia ser outro! Madonna x Jesus. Ontem, aqui em São Paulo, após o último show da turnê, levou o modelo de 21 anos para um bar, dançou a noite toda, bebeu e o levou para o seu hotel. Dá-lheeeee... imagina a cabeça deste garoto, vai precisar de terapia, pois sua vida nunca mais será a mesma!


Madonna desceu de sua espaçonave alienígena e deixou todos os habitantes do planeta terra boquiabertos com seu show tecno-musico-sexo-performático. Fui a 2 shows - dia 18/12 fiquei na pista VIP e dia 20/12 na pista comum. Ambas experiências, que se completam, foram extasiantes!

Incrível como pessoalmente ela é MUITOOOO mais bonita do que em fotos, videos e filmes. Mesmo com estatura média (sim ela tem 1m60), consegue atrair a multidão. Sua energia é invejável - mesmo com seus 50 anos consegue o que a maioria de 30 nem ousaria tentar. A custo de muita malhação, alimentação, determinação (e por que não, alguns procedimentos cirúrgicos?!) ela está impecável no seu corpo enxuto, torneado e definidíssimo!


Esta experiência que tive ao ficar menos de 2 metros de distância dela será marcada eternamente em minha memória! Nenhuma das 500 fotos que tirei dela, nem tampouco os vídeos que gravei, conseguirão expressar o que senti ao vê-la de tão próximo pela primeira vez!!!!!! Coisa de fã - diriam as pessoas, mas não se trata apenas disso! Ela representa uma coletânea inconsciente de sentimentos, atitudes, comportamentos e modo de vida! Ela é o lado bom do que uma celebridade representa. Cometeu erros, excessos e ousadias ilimitadas, sim sabemos disso. Mas já diz o ditado religioso: "quem nunca errou...".


Caso você queira ver algumas fotos que tirei no show, acesse o meu fotoblog, lá também postarei alguns vídeos que gravei.




E a vida continua... os deuses não habitam entre nós.

17 de dezembro de 2008

Madonna x Madonna




AMBIÇÃO
Sou grossa, ambiciosa e sei exatamente o que quero. Se isso me torna insuportável, tudo bem.
Tenho o mesmo objetivo que tinha quando ainda era menina. Quero dominar o mundo.


FEMINISMO
Mulheres fortes deixam chupões bem grandes Não sou feminista, sou humanista.


RELIGIÃO
Gostaria de ver o papa usando minha camiseta O catolicismo não é uma religião acolhedora. É uma religião dolorosa. Somos todos gulosos por castigos.


CELEBRIDADE
Não serei feliz até que seja tão famosa quanto Deus Não me importo mais se as pessoas se vestem como eu. Agora quero que pensem como eu.


SEXO
Todo mundo acha que sou uma ninfomaníaca alucinada, que tenho um apetite sexual insaciável, quando eu preferiria mesmo ler um livro Todos te amam quando estão prestes a gozar. Todo homem precisa ter a língua de outro na boca pelo menos uma vez. Não confio em nenhum cara que não tenha beijado outro.


MATERNIDADE
A última coisa que quero é uma pentelha. Quero que a Lola [filha de 12 anos da cantora] aprecie as coisas, que não seja presunçosa, que tenha modos


INTIMIDADE
Acho que minha maior falha é minha insegurança. Sou amaldiçoada por isso 24 horas por dia. Família é tudo, em primeiro lugar. Não é o que eu esperava que seria, mas nada nunca é o que a gente espera


CASAMENTO
Sou obsessiva, compulsiva, workaholic. Tenho insônia e sou obcecada por controle. Quem poderia me aturar?


VELHICE
A sociedade discrimina pela idade. Num certo momento, já não se tem mais o direito de ser aventureira, não se pode ser sexual. Existe uma regra? Somos obrigados a morrer?

16 de dezembro de 2008

Ave Madonna!


Ela desceu do Olimpo, está mais próxima dos mortais. Joga suas bençãos sobre a humanidade com seus gestos, movimentos e seu canto. Mesmo quando tropeça e cai, em pleno show no palco (ou seria altar?!) - o que a tornaria uma deusa-humana (ou seria desumana?!) - ergue apenas a sua perna sagrada e continua sua dança sob a chuva torrencial que lava às almas dos fiéis na capital fluminense. Conversa com o público, reclama da chuva, veste a camisa número 10 da seleção brasileira e encerra o show sob gritos e histeria de fãs e admiradores.

Agora é a vez de nós paulistanos - pelo menos eu me considero muito mais paulistano do que muitos que nasceram aqui na capital.

Certamente existirá uma vida antes e uma depois ao vermos um ídolo ao vivo.

"Time goes bye so slowly..."


12 de dezembro de 2008

Ensaio por dentro



Um desejo depressivo invade seu corpo. Ele não entende o motivo, mas sente-se mal, despedaçado e sem força para viver. Olha para todos em sua volta e não acha a menor graça no que as pessoas falam, riem ou fazem. Pelo contrário, acha tudo estúpido e idiota demais!
Por que as pessoas fingem sentir o que não sentem?
Pelo que as pessoas vivem e trabalham? Buscam o que afinal de contas?
O amor não existe. As pessoas projetam seus interesses no outro! – dizia ele a si mesmo.
Uma dor de cabeça insiste em suas têmporas, causando um certo mal estar suportável.
Passa a mão pelos cabelos, mas fica irritado com a textura dos fios, parecem secos e opacos.
A vontade que ele sentia era ficar em casa trancado quietinho no escuro no total silêncio.
Será que estou depressivo? – questionava-se.
Olha seus e-mails pessoais e não lê nada que lhe desperta a atenção, seleciona tudo e deleta.
O mundo lhe parece cinza, o tempo está cinza lá fora, dentro dele também.
Procura uma música para ouvir, mas qualquer tipo de som o deixa irritadiço.
Foi até o banheiro, lavou o rosto. Olhou-se e odiou o que viu.
Saco, o que está acontecendo comigo? – pergunta-se.
Por alguns instantes pensou em se matar, dar um fim neste mal estar generalizado.
Quanto tempo as pessoas notarão a minha ausência e me encontrarão morto em casa? – maquiavelicamente pensou. Teve medo da resposta.
Não acreditava em deus, muito menos em vida após a morte. Um pensamento invadiu-lhe a mente: E se existir algo depois que morremos? Você pode estar colocando tudo a perder, seu idiota! Deixa de ser covarde e fraco, encare as coisa e frente!
Procurou em suas memórias alguma lembrança agradável que lhe trouxesse sensações positivas a respeito da vida. Buscou em seu celular o telefone de amigos, talvez se ligasse para algum deles seria resgatado deste umbral depressivo. Desistiu.
Eu odeio multidão, odeio confusão de gente, odeio as pessoas! – rogou praga a si mesmo.
Gastava muita energia odiando e pouca energia construindo. De onde vem tanto ódio?
Resolveu ler um pouco, afinal de contas ler era algo que ele fazia com imenso prazer.
Por minutos ficou parado olhando para parede, sem nenhum movimento.
Sua cabeça rodava, mil pensamentos povoavam sua mente.
Viver é uma idiotice, pois nem sabemos o que nos espera! Seres humanos são tão tolos! – ao dizer estas palavras lembrou de seu pai. Teve fome, resolveu tomar água. Estou gordo! – beliscou a barriga. Aquele mal estar insistia e ele não teve dúvida, tomou 3 comprimidos para dormir e foi para o sofá assistir filmes policiais. Era estranha a sensação que ele tinha toda vez que assistia a um filme policial, parecia ter prazer em ver armas de fogo. Um prazer lúgubre, insano. Adormeceu.

8 de dezembro de 2008

Babel



Uma coisa é certa: é impossível ficar arredio às histórias narradas no filme Babel (drama de 2006 dirigido por Alejandro González Iñárritu e com roteiro de Guillermo Arriaga). Um sucessão de fatos, inicialmente isolados e fora de sequência, levam-nos a pensar seriamente em nossos valores morais-éticos. A todo tempo eu me esqueci que estava assistindo a um filme, pois a sensação que tinha era de estar vendo um documentário jornalístico-social. Personagens locais foram usados em várias cenas, dando assim um ar verossímel e profundo às atitudes entrelaçadas dos fatos.

Brad Pitt, que até então eu o considerava apenas um ícone contemporâneo de beleza capitalista, vive com verdade o personagem Richard Jones, é convincente e muito criterioso ao dar uma sensibilidade coerente de marido arrependido. Cate Blanchett dá um show delirante e realista que extrapola aos limites do verdadeiro, ela vive Susan Jones, uma mãe triste e sofrida, muito apaixonada pela marido. A vida de ambos jamais será a mesma diante dos fatos que os envolvem.

Universos diferentes são abordados - um deserto no Marrocos; uma cidade no Japão e uma cidade próxima a Tijuana no México. Estilos de vida antagônicos, mas com pontos dramáticos convergentes. Atores talentosos são usados em todas as cenas. Um cinema marginal até certo ponto, com toques de urbanidade. O diretor mexe com nossos brios morais. Flerta com o incesto entre irmãos, brinca com as drogas, ironiza o terrorismo, satiriza o desejo de viver nos EUA, fala pelos cotovelos com a personagem surda-muda que dá-nos maestria cênica... mostra-nos uma realidade que tentamos esconder o tempo todo, talvez por medo, talvez por dor.

Não quero estragar o prazer de quem ainda não assistiu ao filme, muito menos focalizar o meu unilateral ponto de vista.

Até que ponto uma atitude nossa é responsável por desencadear uma desgraça alheia como num efeito dominó?

Para quem gostar, vale assistir aos outros dois filmes do mesmo diretor - que a meu modo encerra uma trilogia imperdível: Amores Brutos e 21 gramas.

Prepare-se, pois o seu modo de ver a vida será, no mínimo, questionado. Seja forte, insista.

Este é o papel real do cinema: educar, questionar, vivenciar... transgredir.

Encerro com uma pergunta: para você por que o diretor nomeou o filme de BABEL?

7 de dezembro de 2008

Seca Parda x Enchente Branca



Uma amiga, depois de ler meu artigo sobre a enchente em SC, me disse:
- Flávio, eu li seu artigo e gostei, mas você já parou pensar que no Nordeste as pessoas passam fome e sede por décadas e ninguém está nem ai?

Esta pergunta me soou como um tapa na cara, não um tapa ofensivo, claro, pois a Dani é uma pessoa que gosto muito e além do mais tem um apurado senso crítico na leitura.

Sim, ela conseguiu me deixar ainda mais inquieto, pois ela tinha razão.

Estamos todos ABALADOS com as enchentes no SUL do país, mas a seca no NORDESTE tem matados milhares de pessoas todos os anos e nada é feito. Nós não movemos tanta energia quando aquela que está sendo movida para ajudar as vítimas do SUL.

SUL x NORDESTE = BRANCO x PARDO

Seria ainda a eterna predominância dos interesses brancos sobre as necessidades pardas???

Dani, este artigo deveria ser escrito por você... PARABÉNS pelo apurado senso crítico!

Penso comigo... como somos INJUSTOS, mesmo quando estamos pensando em sermos JUSTOS!

E agora, o que faremos?

4 de dezembro de 2008

(I)mundo oculto


Reprodução do original: O grande masturbador - Salvador Dalí

As pessoas (se) escondem
Ocultam desejos, miram sonhos e devaneios mal traçados
Constroem muros, barreiras, fortalezas, bunkers
Esquecem das pontes, das escadas, das trilhas, dos atalhos

Frenética busca inconstante
Baseada no eterno "não sei o que"
É trânsito, é trabalho, é namoro, é sexo
É cinema, é shopping, é televisão
É dormir, é sonhar, é acordar
É conta, é dor, é suor

Corpos perfeitos emolduram nossos olhos
Lindas Giseles, perfeitos Malvinos
- Use o jeans "x" e seja perfeito!
Salientam nossos defeitos
Massacram nossa coragem
Tiram nosso sono
Inqueitam-nos
Versace salientaria

Criança drogada no chão
Assalto à mão armada, coração frágil
- Tio, dá um trocado!
É violência, é atraso, é correria
É perder, é lutar, é desistir
É comer, é rir, é chorar sem rir
É ganhar, é trair, é lutar
Freire estudaria

Rios de dinheiro
Poluição onipresente
Câncer, gripe, febre, vírus
- Moço, dá um antibiótico!
Toma, bebe, dorme
Imundo por dentro, sujo por fora
Assustador na periferia
Lobo na pele de cordeiro
Lixo humano
Esopo riria

Casamento faliu
Namoro raro
Ficar, transar, experimentar, experienciar - eis o lema
Hétero (ssexual), Gay, Homo (ssexual), Bi (ssexual), In (deciso)
Mulher masculinizada, homem efeminado
Salda de fruta sexual
Freud dissecaria

Personalidades mutiladas
Pessoas jogadas
Sobrevivência - eis o lema!
Darwin entenderia

Pessoas frenéticas
Onde corpos perfeitos
Desenvolvem uma violência aguda
Roendo-se numa podridão oculta
Elevando-se ao sexo transviado

Ser mutilado
E ainda transmutado
Resta o vasto mundo

Imundo

São Paulo, 04/12/08

1 de dezembro de 2008

SC: Santa Catástrofe



Catástrofe:
■ substantivo feminino
1 acontecimento desastroso de grandes proporções, ger. relacionado a fenômenos naturais, que provoca morte e destruição

Impossível não se abalar com os acontecimentos que têm assolado a Região Sul, mais especificamente Santa Catarina. Fico pensando o tempo todo nas pessoas desabrigadas, crianças tristes, vidas perdidas... Acordar um dia sem ter onde morar, perder tudo e todos! Como seria isso? Qual sentimento nos apossa esta hora? Um Estado com nome de santa, mas com punições de apocalipse!

Estou muito comovido com a atitude o nosso país. As pessoas estão sendo sólidárias. As televisões, pelo menos, estão fazendo um jornalismo útil e voltado para o lado humano da situação - óbvio, aproveitando para fazer também o que sabem fazer bem: sensacionalismo!

Uma coisa é notória: não estamos preparados para enfrentar grandes catástrofes naturais! Nunca tivemos terremotos (salvo raros abalos sísmicos de pequena escala), nunca tivemos furacões (salvo alguns pequenos ventos de correntes), nunca tivemos ataques terroristas (salvo atos de vandalismo, sequestro e crimes hediondos), nunca tivemos vulcões em atividade (salvo o calor insuportável em algumas regiões do norte/nordeste)... mas ainda falta treinamento nas escolas para aprendermos a lidar com grandes catástrofes, principalmente as de origem natural.

Alguns afirmam que somos um país abençoado. Por um lado têm razão, mas por outro, eu me pergunto: abençoado por que?
Quando viajamos para a Europa, por exemplo, percebemos um povo que tem muita cultura, muita tecnologia e muita oportunidade de vida, mas carecem em sua totalidade de algo que nos sobra: calor humano! Isso não se aprende, não se adquire... isso vem com nossos códigos genéticos! Está em nosso sangue, nosso ser e na nossa alma!

Parabéns a cada um que doa o seu tempo/dinheiro da forma que pode, são atitudes assim que nos fazem ser um povo diferente, caloroso, humano e, acima de tudo, SOLIDÁRIO!
E você, o que tem feito?