24 de novembro de 2008

Friends gone... e agora?



Este final de semana terminei de assistir todas as 10 temporadas do seriado "Friends". Quando terminei de comprar todas as temporadas, fui assistindo um, dois, três episódios diariamente - sempre que sobrava um tempinho ou quando eu queria rir, rir, rir e descontrair descompromissadamente... assim passei os últimos meses, embuido na amizades de amigos engraçados, trágicos e verdadeiros.


O último episódio é aquele que a gente assiste com o coração na mão, torce pelos personagens, tal como fazemos por um amigo próximo que muito amamos.

Dei altas gargalhadas - sozinho em casa, com certeza se o vizinho me ouviu deve ter tido certeza que sou louco! - fiquei triste, alegre, chorei... foram tantas emoções em menos de 1 horas, tal como uma montanha-russa. Eu não queria acreditar que tudo acabaria.


Depois que terminei, tive que voltar para o mundo real com a sensação de que os meus "friends" ficariam bem. Engraçado pensar na capacidade que temos de amar personagens que não existem na vida real, que são apenas frutos da imaginação de escritores e de nossa projeção inconsciente. Eu tenho uma amiga que é muitoooo parecida, comportamentalmente, com a Phoebe. É loira, alta, bonita, corpo esbelto e totalmente perdida e sem noção de algumas coisas. Só de olhar para a cara dela eu acho graça. Se ela fica nervosa com alguma coisa, ai sim eu dou gargalhada. Acho até que o louco sou eu. Uma vez, em dezembro do ano passado, eu mandei um e-mail a ela, pedindo o seu endereço pois queria mandar um cartão de Natal. Ela me respondeu, mais ou menos assim:
Ah, Flá, você irá amar Natal, eu estive lá ano passado e é linda a cidade.
Eu quase tive que ser levado ao pronto-socorro quando li o e-mail resposta de tanto rir. Enquanto eu estava falando da data comemorativa do papai-noel, ela estava pensando que eu iria viajar para a cidade de Natal. Foi hilário... passei meses tirando sarro dela.


A junção de qualidades que encontramos facilmente nos amigos é que fez o sucesso de "Friends". Cada um tem características que considero universais: Joe: canastrão, ator, mulherengo, guloso; Phoebe: vegetariana, sincera, desastrosa cantora, mística; Rachel: sexy, funcionária da Ralph Lauren, sensível, perfil de loira; Ross: inteligente, professor universitário, atrapalhado, ficcionado por arqueologia; Chandler: patético, piadista nato, inconveniente; Mônica: neurótica por organização e limpeza, radical, chef de cozinha, competitiva, mandona.


Claro que as qualidades mencionadas acima são apenas ínfimos exemplos do que os personagens são e foram ao longo dos 10 anos em que o seriado durou na TV.


Penso que hoje em dia não fazemos amigos com tanta substância. Estamos mais envolvidos com contatos via msn, via celular, via e-mail, via torpedo, via skype etc. Não ousaria dizer que é melhor ou pior, mas afirmo que é diferente do que aprendi a nomear 'amigo'. Ainda mais para mim, que cresci correndo e nadando nos córregos, chupando manga e jaboticada nos pés, brincando de queimada nas ruas e voltando para casa com os joelhos ralados. Cortávamos mamão verde fazendo dois olhinhos e boca, depois colocávamos uma vela acesa dentro dele e deixávamos em cima dos muros - com a intenção de assustar os passantes. Já engoli peixinho vivo porque acreditava que assim poderia aprender a nadar sem esforço - ah! não acredito que fiz isso!!!!! A dor foi tanta ao saber que estava engolindo um animalzinho vivo - acho que meus instintos vegetarianos já estavam se preparando para aflorar.


Colegas temos aos montes, dezenas, centenas, milhares... temos contatos no orkut, na agenda de e-mails, no celular...


E amigos, quantos você têm de verdade? Tem coragem de pensar nisso? Você é amigo de alguém?


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Flávio