24 de novembro de 2008

Play me, I'm Yours!


Foto (celular) tirada na Estação Santo Amaro em 24/11/2008


Fiquei muito contente com o Projeto (Play Me, I’m Yours) do Inglês Luke Jerram, que instalou vários pianos em diversos pontos da cidade. Eles ficam lá, esperando alguém ter coragem de tocá-los. Livres para o uso e manipulação de qualquer pessoa interessada.


SENSACIONAL....


As pessoas não estão acostumadas com música assim ao alcance de seus próprios dedos. Uns olham desconfiados - talvez achando ser pegadinha; outros aproximam lentamente disfarçando o interesse; alguns são ousados e já sentam e improvisam qualquer som! Uma coisa é certa: é impossível não notar esta peça musical tão bonita, significativa e importante na história da música.


Lendo melhor sobre o projeto, descobri a relação de locais onde estão os instrumentos. Segue abaixo a relação, para quem tiver a oportunidade e/ou coragem de se embrenhar no universo da música culta:


Poupatempo da Sé
Largo de Santa Cecília
Marquise do Parque Ibirapuera
Estação Santo Amaro - CPTM
Estação da Luz
Parque da Juventude
Pátio do Colégio
Largo de Pinheiros


Para quem quer saber mais, e só acessar o site pianosderua.com.br


É uma atitude digna de louvor, pena a iniciativa ser de um inglês. Quem sabe a gente não coloca um pandeiro ou um berimbau na entrada do Parlamento inglês...!


Antes tarde do que nunca!


Friends gone... e agora?



Este final de semana terminei de assistir todas as 10 temporadas do seriado "Friends". Quando terminei de comprar todas as temporadas, fui assistindo um, dois, três episódios diariamente - sempre que sobrava um tempinho ou quando eu queria rir, rir, rir e descontrair descompromissadamente... assim passei os últimos meses, embuido na amizades de amigos engraçados, trágicos e verdadeiros.


O último episódio é aquele que a gente assiste com o coração na mão, torce pelos personagens, tal como fazemos por um amigo próximo que muito amamos.

Dei altas gargalhadas - sozinho em casa, com certeza se o vizinho me ouviu deve ter tido certeza que sou louco! - fiquei triste, alegre, chorei... foram tantas emoções em menos de 1 horas, tal como uma montanha-russa. Eu não queria acreditar que tudo acabaria.


Depois que terminei, tive que voltar para o mundo real com a sensação de que os meus "friends" ficariam bem. Engraçado pensar na capacidade que temos de amar personagens que não existem na vida real, que são apenas frutos da imaginação de escritores e de nossa projeção inconsciente. Eu tenho uma amiga que é muitoooo parecida, comportamentalmente, com a Phoebe. É loira, alta, bonita, corpo esbelto e totalmente perdida e sem noção de algumas coisas. Só de olhar para a cara dela eu acho graça. Se ela fica nervosa com alguma coisa, ai sim eu dou gargalhada. Acho até que o louco sou eu. Uma vez, em dezembro do ano passado, eu mandei um e-mail a ela, pedindo o seu endereço pois queria mandar um cartão de Natal. Ela me respondeu, mais ou menos assim:
Ah, Flá, você irá amar Natal, eu estive lá ano passado e é linda a cidade.
Eu quase tive que ser levado ao pronto-socorro quando li o e-mail resposta de tanto rir. Enquanto eu estava falando da data comemorativa do papai-noel, ela estava pensando que eu iria viajar para a cidade de Natal. Foi hilário... passei meses tirando sarro dela.


A junção de qualidades que encontramos facilmente nos amigos é que fez o sucesso de "Friends". Cada um tem características que considero universais: Joe: canastrão, ator, mulherengo, guloso; Phoebe: vegetariana, sincera, desastrosa cantora, mística; Rachel: sexy, funcionária da Ralph Lauren, sensível, perfil de loira; Ross: inteligente, professor universitário, atrapalhado, ficcionado por arqueologia; Chandler: patético, piadista nato, inconveniente; Mônica: neurótica por organização e limpeza, radical, chef de cozinha, competitiva, mandona.


Claro que as qualidades mencionadas acima são apenas ínfimos exemplos do que os personagens são e foram ao longo dos 10 anos em que o seriado durou na TV.


Penso que hoje em dia não fazemos amigos com tanta substância. Estamos mais envolvidos com contatos via msn, via celular, via e-mail, via torpedo, via skype etc. Não ousaria dizer que é melhor ou pior, mas afirmo que é diferente do que aprendi a nomear 'amigo'. Ainda mais para mim, que cresci correndo e nadando nos córregos, chupando manga e jaboticada nos pés, brincando de queimada nas ruas e voltando para casa com os joelhos ralados. Cortávamos mamão verde fazendo dois olhinhos e boca, depois colocávamos uma vela acesa dentro dele e deixávamos em cima dos muros - com a intenção de assustar os passantes. Já engoli peixinho vivo porque acreditava que assim poderia aprender a nadar sem esforço - ah! não acredito que fiz isso!!!!! A dor foi tanta ao saber que estava engolindo um animalzinho vivo - acho que meus instintos vegetarianos já estavam se preparando para aflorar.


Colegas temos aos montes, dezenas, centenas, milhares... temos contatos no orkut, na agenda de e-mails, no celular...


E amigos, quantos você têm de verdade? Tem coragem de pensar nisso? Você é amigo de alguém?


19 de novembro de 2008

O Natal é um estado de espírito?

Para muitas pessoas o Natal representa presentes, alegria, família, amigo-secreto, papai noel, neve, árvores coloridas, decoração nas lojas... etc.
Para tantas outras o Natal simboliza ausência, tristeza, solidão, inimizade, perda, sede, dor, vontade, frio, fome... etc.

Eu mesmo, quando chega o Natal, fico mais contente e alegre porque junto a ele somo tantos outros acontecimentos inspiradores: final de ano na pós-graduação, ano novo, mais um ano com saúde e prosperidade (não esquecendo que este mesmo ano somado cronologicamente me deixa mais experiente) e tantos outros sentimentos agradáveis.

Nesta época, mais do que nas outras, o consumismo nos consome!
Consome nosso tempo, nosso dinheiro, nossa vontade, nossos desejos e nosso equilíbrio mental-financeiro.
É promoção disso, daquilo, e tudo o que precisamos comprar de qualquer jeito, tudo é útil - até encontrarmos, depois de anos, guardado no fundo do armário empoeirado e na embalagem aquele aparelho de ginástica que prometia milagres.
Gastamos mais do que deveríamos, usando como desculpa "É Natal poxa!", quando muito não dizemos "Eu mereço".
Neste ritmo começamos o ano com dívidas e com um sensação de que nada novo aconteceu.

Instala-se o dilema do "prazer x razão". Se bobear a culpa faz moradia, ai as coisas complicam.

Uns pagam o preço, outros pagam as dívidas e outros ambas as coisas.
Junto ao excesso do consumismo, vem uma enxurrada de mensagens para sermos caridosos, doar sem pensar a quem. Nossos anjinhos mentais ficam brigando, o do bem quer doar, o do mal quer gastar.


Esta semana me peguei sorrindo ao ver papai noel no shopping com uma criança no colo tirando uma fotografia. Rapidamente olhei para os lados e me recompus, com a minha maligna consciência me retalhando "Hey, vc não é mais criança, caia na real!". Mas de imediato eu contrapus: "Não me interessa, eu adoro ser criança, gosto de Em busca da Terra do Nunca e adoro O Mágico de Oz!". Não adiantou, ela passou o resto do dia me azucrinando. Chegando em casa fui assistir Friends (diria que é a única série de TV que me consegue fazer rir), mas mesmo assim a bendita me torturou.

Agora proponho um exercício, rápido, durará menos de 1 minuto, prometo! Se você realmente se importa consigo não vai resistir:

Feche os olhos e respire PROFUNDAMENTE e solte o ar LENTAMENTE pelo nariz. A seguir pense na sua infância, na imagem mais antiga que conseguir trazer ao consciente!
Procure lembrar de detalhes como cor, temperatura e sensação.

Qual foi esta imagem e esta lembrança?

Este é você... tudo que for diferente disso, é fruto do mundo que vivemos!

15 de novembro de 2008

Não me conformo!!!!!




Até que ponto a nossa vã responsabilidade vai continuar permitindo isso?

Por que é mais fácil fingir que "isso" não existe?

Tem sentido comemorar o Natal?

8 de novembro de 2008

Apólogo: A troca das cadeiras


Certa vez, estando cansada de agüentar o peso de seu próprio dono, a cadeira resmungou à sua companheira mesa:


- Cansei de ser sentada. Ninguém me trata com respeito, o meu dono chega da rua de qualquer jeito e vai logo se acomodando aos trancos. Se ao menos tivessem mais pessoas nesta casa. Se bem que o seu peso vale por três. Isto sem mencionar os odores...


A mesa, em sua magnânima postura – toda de vidro temperado, pernas de aço escovado com design europeu – fingiu não ouvir nada.


A cadeira continuou a lamentação:
- Além do mais somos quatro aqui e eu sou sempre a escolhida, não é justo, quero trocar de posição. Acho mais do que justo um rodízio semanal de lugares. É o meu direito exigir a troca constante! Só eu estou ficando velha enquanto todas as outras três ficam jovens e lindas!


Sua colega da esquerda, num ar blasé, retruca:
- Foi você quem escolheu ficar de frente para porta, querendo ser a primeira a ser vista pelos visitantes. Agora paga o preço, bem feito! Meu primo sofá sempre me dizia: “o apressado come cru”.
- Escuta aqui, desde o início eu notei a sua inveja sobre a minha posição! Não tenho culpa se meu jeito de ser te incomoda!
- Inveja?! Eu?! Você só pode estar delirando, eu continuo até hoje com o plástico cobrindo a minha pele. Tenho aparência de nova, ainda conservo o odor da minha mãe fábrica. Só fui usada por três vezes e todas elas foram por crianças.


A mesa continuou ouvindo por horas aquela ladainha de lamúria.


Ao ouvirem o barulho da chave na porta, todas silenciaram. Era a empregada chegando para cumprir a sua rotina semanal de limpeza.
A cadeira da direita não resistiu e sussurrou à sua inconformada colega:
- Hoje é a sua chance de mudar de lugar, a faxineira sempre nos coloca de pernas para cima logo após o almoço, posso trocar de lugar com você nesta hora. Eu já cansei de ficar escondida entre a parede e o sofá. Nem resto de comidas caem sobre mim. Nem lustrada direito eu sou. Quero me sentir útil, usada, quero servir ao meu dono. Se quiser, podemos trocar. Não nasci para ficar oculta.
- Obrigada amiga. Vamos aproveitar a faxina da tarde e mudaremos.


Neste instante, a mesa que até então nada falava, disse:


- Meninas, que adianta ficarem brigando por posição se todas vocês sempre estarão embaixo de mim? Estando à direita, à esquerda, na frente ou atrás, não importa. Todas sempre serão usadas para que eu possa fazer o meu trabalho. Sou usada para comer, ler, conversar, jogar baralho, escrever... e vocês, para que servem além de sentar?! Nem isso sabem fazer com majestade. Preocupam-se muito com o status e pouco com a serventia. Cada ser tem um propósito neste mundo. Não queira ser uma obra de arte, conforme-se em ser cadeira, feita para sentar. Não se trata de ser menos ou mais do que ninguém. Imagina se todas as cadeiras quisessem ocupar o mesmo lugar! A dignidade vem com a capacidade de entendermos o nosso lugar no mundo.
Neste momento um silêncio profundo dominou a sala, pois as cadeiras respeitavam muito o que ouviam da mesa, pois quando elas chegaram naquela casa, a mesa já estava ali.


A faxineira toda serelepe com balde e pano nas mãos aproximou, começou afastar todos os móveis, e, como era previsto, colocou todas as cadeiras de pernas para o ar. Assim que saiu para buscar o sabão em pó, as cadeiras rapidamente trocaram de lugar numa rapidez quase imperceptível pelos os olhos humanos adultos – talvez uma criança conseguisse ver.


- Vamos é a nossa chance, ela não notará a troca! – dizia a cadeira da esquerda. E assim fizeram a troca.


Depois de limpar toda a casa, a faxineira voltou cantarolando e começou a recolocar as cadeiras no lugar. Ajeita aqui, ajeita ali e de repente viu uma mancha no assento de uma delas.


- Chi, o patrão vai brigar comigo! Acho melhor colocar esta cadeira escondida.


Dito e feito. A faxineira trocou as cadeiras de posição instintivamente, voltando-as todas às posições originais.


A mesa, que segurava o riso, calmamente disse:
- Bem que eu tentei alertá-las, minhas queridas. Por baixo de mim já passaram tantas cadeiras que já perdi a conta. Vocês podem ser dignas e exemplares em suas tarefas, desde que façam com dedicação e vontade. A rebeldia nem sempre nos leva a caminhos seguros. Não queiram ser o que não são. Uma cadeira jamais poderá ser um quadro, nem tampouco uma geladeira. Vocês brigam por uma posição de destaque, mas esquecem que estou aqui sempre a protegê-las. Não existe uma cadeira melhor do que a outra, todas vocês têm uma importante função em uma casa. O que seria do mundo se todos nós quiséssemos ser cadeiras?
Após dizer estas palavras, a mesa sentiu-se reconfortada e feliz ao ver suas queridas pupilas pensativas e com um ligeiro sorriso nos lábios.


Hora do jantar!


Este texto foi criado para a disciplina de Literatura Infanto-juvenil na Pós-graduação em Língua Portuguesa e Literatura


(Flávio Vicente em 03/novembro/2008)

4 de novembro de 2008

A viagem do elefante




"O Brasil é quem lidera o ensino e a divulgação da língua pelo mundo. Temos de nos adaptar, para o nosso próprio bem, para a sobrevivência da nossa cultura"
(Saramago - Reportagem da FOLHA, caderno ILUSTRADA em 31 de outubro 2008)


Fique pensando ao ler a entrevista que ele deu à Folha, divulgando o seu novo livro A VIAGEM DO ELEFANTE que será lançado dia 27 de novembro no SESC Pinheiros :
"Só um escritor do porte dele tem a capacidade - e a coragem - de afirmar isso... e mais do que nunca eu admiro o trabalho dele, acima de tudo como ser humano."


Só quem tem manejo explêndido da língua portuguesa e uma grande capacidade fabuladora!!!