20 de outubro de 2008

O Corte e A Comunidade


Pode parecer bobagem, mas o desemprego é uma das principais causas de depressão nas pessoas. Às vezes passamos anos trabalhando em uma empresa, dando o nosso melhor, enfrentando inumeros desafios, criando soluções, resolvendo problemas e um dia.. booooommmmmm... o desemprego te pega! Nem sempre é por incompetência, às vezes pode ser corte, reestruturação ou automatização - a legítima dominação da máquina sobre o homem. Os tempos modernos têm produzido equipamento cada vez mais eficientes - contrapondo à falível capacidade humana.


Esta semana, lendo um artigo na pós-graduação que apresentava algumas possíveis "previsões" para o futuro da educação, pude perceber claramente este contexto. Digo 'possíveis' previsões porque tudo vai depender do tempo, aliás tudo é possível neste mundo, o que define o impossível é o tempo. Acho que viajei demais...! Enfim, o artigo falava, dentre outras coisas, que o papel do professor enquanto presença física será extinto. O aluno fará seus estudos de forma virtual, usando para isso um microcomputador. E se houver um professor, será apenas como caráter de suporte e/ou orientativo. Tudo bem que isso acontece hoje em dia nos cursos EAD, mas sempre temos um professor ali presente. Uau... pensei! As outras 14 suposições futurísticas têm o seu valor, algumas ainda futurísticas demais. Talvez estao mais para o filme Gattaca do que para nossa realidade atual, mas são pertinentes e merecem ser discutidas.

Um filme que mexeu profundamente com meus conceitos a este respeito - o desemprego e a (in)utilidade humana - foi "O corte" de Costa Gavras. No mesmo dia, (in)felizmente cai na bobeira de assistir "A comunidade" de Alejandro Gonzáles. Digo 'bobeira' porque são filmes extremamente fortes e cheios de situações únicas e humanas. Quando assisto filmes que mexem comigo, fico dias e dias assimiliando-os, remoendo, filosofando, questionando, analisando... agora imagine só quando são 2 grandes películas!!!!

Um questiona e aborda o desempre e o desespero das pessoas acometidas por esta desfavorável situação e o outro a ganância das pessoas e o que são capazes de fazer pelo poder e pelo dinheiro. Falando assim parecem filmes bobos e repetitivos, mas é que não quero contar nada que atrapalhe a quem vai assistí-los - afinal de contas não existe coisa pior do que ouvir uma pessoa contar o melhor do filme antes de tê-lo assistido! Ambos têm algo em comum muito forte!

O que somos capazes de fazer para atingirmos nossos objetivos? Até onde vamos quando nos sentimos ameaçados? Qual é o preço que estamos dispostos a pagar?

Quem garante que você não está sendo observado/manipulado em suas escolhas? Quem garante que o seu livre arbítrio não é fruto de manipulações alheias?

Não quero falar muito sobre os filmes para não estragar o prazer de quem irá assistí-los, mas uma coisa posso dizer: estes filmes mexeram profundamente comigo e com a minha forma de (re)pensar minhas atitudes!!!

Por hora ainda estou digerindo-os... e haja suco gástrico!!!!!

17 de outubro de 2008

Video "No meio do caminho" de Carlos Drummond de Andrade

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Este video foi gravado para ser apresentado na pós-graduação para o trabalho de final de módulo da disciplina "Metodologia do Ensino de Língua e Literatura: Produção de Atividades" (orientação teórica do Professor Yuri) desenvolvemos o tema "A transcriação na poesia". Para exemplificar a transcriação, nós usamos o poema "No meio do caminho" (Carlos Drummond de Andrade) com o poema "No mei do carmin da roça" (Cumpadi Zé).

O mais engraçado foi o processo de produção... as várias tomadas, as risadas, as improvisações, o texto... não só foi um prazer "transcriar" uma obra de um ícone da Literatura Brasileira, mas também um prazer enorme exercitar nossas porções artísticas - ah! que saudades do tempo em que eu fazia teatro!!!

Divirtam-se ao assistir, pois certamente foi feito com muito carinho.

Comentem, dê sua opinião e/ou sugestão.

Obs.: Postei abaixo o segundo video "Pneumotórax", também usado na apresentação do trabalho citado acima.

Video "Pneumotórax" de Manuel Bandeira

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Este video foi gravado para ser apresentado na pós-graduação para o trabalho de final de módulo da disciplina "Metodologia do Ensino de Língua e Literatura: Produção de Atividades" (orientação teórica do Professor Yuri) desenvolvemos o tema "A transcriação na poesia".

O mais engraçado foi o processo de produção... as várias tomadas, as risadas, as improvisações, o texto... não só foi um prazer "transcriar" uma obra de um ícone da Literatura Brasileira, mas também um prazer enorme exercitar nossas porções artísticas - ah! que saudades do tempo em que eu fazia teatro!!!


Comentem.
Comentários são sempre BENVINDOS.

13 de outubro de 2008

Veia entupida













Da janela frontal um rio preto, sujo, imundo

Água parada, estagnada, estancada
Reflete a luz do Sol tão bem
Mesmo sujo ainda conserva-se brilhante – mera ilusão
Um casal de capivaras nada tranquilamente
- Como a natureza animal se adapta fácil às adversidades!

Carros de um lado, motos de outro

Numa bagunça organizada

Mais poluição, mais gases, mais metano

Vrummmmm... Bibipppp....

- Sai da frente ôh!!!!

E mais um dedo levantado ao ar

Mais poluição, mais gases, mais metano

Agora comportamentais

Marginal


Lata, plástico, papel, alumínio

Fralda, tampas, rótulos, embalagens

Pneus, canudos, copos, sacolas

Periferia de lixo humano

Um colesterol metropolitano

Uma veia entupida

Menos uma para irrigar o coração cosmopolitano

Somos vermes, germes, bactérias, vírus

Poluímos o corpo em que vivemos

Destruímos o corpo que nos alimenta

Contaminamos nossa fonte de vida


Triste, fico triste


Para onde vai a nossa identidade imunda?

Ar, terra, água – nada nos escapa

Somos eficientes na destruição

Dementes na conservação


Triste



(“Dedicado” à Marginal Pinheiros – 13/10/2008)

6 de outubro de 2008

Um tal de OR7D4

Adoro ler artigos científicos, em sua maioria são curiosos e divertidos. Recentemente li um publicado na revista Nature em setembro de 2007 por cientistas das Universidades de Rockfeller e Duke (EUA), pude descobrir que a percepção do odor corporal é determinada por uma variante genética. Interessante entender que isto pode explicar o motivo de uma pessoa ter o suor desagradável para alguns e passar despercebido para outros. O "carinha" responsável por este trabalho é o receptor de odores chamado OR7D4.

Fiquei pensando nos odores dos perfumes, no cheiro da comida, do mar, do verde, de terra quando chove, das flores, dos excrementos animais... E não é que o olfato é determinante para nos proteger?!! Imagina só se você vai comer algo podre e estragado, mas invisível aos olhos?! Quem liga o alerta é o seu amigo bipartido que fica acima da sua amiga boca:

- Hey, este cheiro não é agradável! Não vá ingerir isto! Perigo, perigo, perigo!

A vida que levamos interfere em muito nos odores que exalamos. Eu, vegetariano mais de 10 anos, já li estudos científicos que provam esta teoria. Pessoas onívoras exalam odores mais fortes do que os veganos e/ou vegetarianos. Pessoas que ingerem muito álcool, muitos condimentos, muita química, certamente têm odores corporais mais fortes. A vida na cidade também interfere em nosso cheiro. Para contra-atacar, criamos perfumes, amaciantes, temperos, aromatizantes etc. Fui criado praticamente no meio do mato, nadando nos rios, andando pelas matas, subindo em pé de jaboticaba, abacate, mamão, manga, mexerica, laranja e até mesmo de jatobá - que cheiro forte esta fruta tinha!!!!!! Quando entro em casa, hoje em dia, a primeira coisa que sinto é o cheiro, antes mesmo de acender a luz. Salvo as exceções, que devem existir, todos acham agradável um cheirinho de bebê após o banho, aquele cheirinho de sabonete naquela pele tão pura e macia!


Quando você se sente atraído por uma outra pessoa, antes que você possa se dar conta, é o odor dos feromônios que você sentiu primeiro. Sim, somos animais, por mais que dizemos viver num mundo civilizado. (Olha a semelhança genética de 99% com o chipanzé!!!!!!). E por que algumas pessoas cheiram diferente das outras?

Todo sentido pode ser desenvolvido se for treinado, caso contrário, é atrofiado. Eu posso afirmar isso com muita maestria. Tenho uma priminha que nasceu com deficiência visual e nunca enxergou. Em contrapartida ela desenvolveu habilidades que fariam muitos a invejarem. Toca violão e canta afinadíssima como ninguém, é convidada para cantar em vários locais e chegou a gravar um CD, depois de tocar semanalmente na rádio local. A última vez que a vi, foi muito emocionante, pois não a encontrava mais de 5 anos. Minha tia pediu-me para entrar sem falar nada e sentar do lado dela. O desafio foi lançado quando minha tia disse à minha priminha:

- Renatinha, advinha quem chegou e está sentando ao seu lado?!

A sensação que tive é que ela já tinha sentido a minha presença - para dizer a verdade o meu cheiro. Ela tocou meu braço, desceu até minhas mãos tocando suavemente, quase por cima da pele, como seu eu tivesse uma camada de pele energética. Depois aproximou seu rosto do meu corpo e me cheirou, logo vi seu rosto iluminar e sorrir - nesta hora assustei, e ela gritou sorrindo:

- É o Flávioooooo, quanto tempoooooo! - me abraçou fortemente e não desgrudou de mim.

Confesso que minha vontade era de chorar sem parar, mas com imenso esforço consegui me conter.

Como uma garotinha que não enxergava com os olhos, podia sorrir, rir e ficar feliz com tanta facilidade???

E eu, que vejo perfeitamente - mesmo após uma intervenção lasik, fico chateado com problemas diários inúteis e insignificantes. Este acontecimento mudou a forma como eu, literalmente, vejo a vida, as pessoas, o verde, a natureza, as crianças e a mim mesmo!

No livro "Ensaio para a cegueira", as pessoas depois de perderem a visão, desenvolvem mecanismos de sobrevivência e seguem adiante - aos trancos e barrancos. Alguns usam esta deficiência para o bem, outros nem tanto. A responsabilidade do que faremos com nossas deficiências e eficiências é totalmente nossa. Não me arriscaria dizer que a visão seja o mais importante dos sentidos, pois ela tem seu papel primordial na nossa sobrevivência, mas sem dúvida alguma o olfato é o que mais nos mantém longe - ou perto - do perigo. Impossível não pensar no ditado popular: "O pior cego é aquele que vê e finge que não vê". E continuei refletindo... não é à toa que dizemos: "Isto não está me cheirando bem" quando queremos expressar algum problema, confusão ou situação embaraçosa. Ou mesmo quando não queremos a presença de uma pessoa e retalhamos: "O que você está cheirando aqui?".

E será que o tal OR7D4 seria um dos responsáveis por nossa sobrevivência?

Não sei não... mas confesso que tem horas que dá vontade de andar com meu Egöiste Platinum (Chanel) a punho e sair borrifando em algumas pessoas...! Para completar, jogaria um kit com sabonete, escova, pasta dental e claro, desodorante 24h com proteção hiper, mega, extra intensiva.