26 de setembro de 2008

Última bolacha no pacote e o Universo
















É tão engraçado imaginar que ninguém nunca soube o que existe (?) do outro lado. A vida parece ser um prêmio e a morte sempre uma maldição. Fazemos festa para uma criança que nasce e ficamos tristes quando alguém morre. O que é a morte e o que ela realmente representa para nós?

O planeta Terra é um minúsculo grão de areia no universo de galáxias existentes - é tão insignificante!
E pensar que existem pessoas que agem como se fossem a tão famosa "última bolacha do pacote"!
Sabemos que TODOS irão morrer, independente de cor, credo, orientação sexual... mas vivemos como se esta amarga realidade não fizesse parte de nossas vidas. Por que isso? Mas viver pensando na morte também não seria uma forma saudável de viver!

Este questionamento está insistente em minha mente nos últimos dias. Tenho um grande amigo, libriano, que está fazendo aniversário esta semana. Ele é uns anos mais novo do que eu, mas todo aniversário exercitamos as filosofias do envelhecer. Algumas vezes rimos, outras lamentamos... o tempo urge, queira você ou não, esteja aproveitando ou não.

Nossas prioridades mudam com o tempo, apesar de algumas pessoas insistirem em ficar paradas no tempo querendo ser jovens eternamente. Ser jovem tem a ver com nosso lado interior e pouco como o nosso lado físico-corporal. Podemos (e devemos!) nos cuidar, mas tem gente que falha na hora de olhar-se no espelho ou mesmo não deve ter um amigo verdadeiro, daqueles que nos dizem a verdade quando, por exemplo, perguntamos: Esta roupa está legal?! Meu cabelo ficou bom?!

Algo nos mantém vivos, ainda que várias pessoas exercitem suas pulsões de morte fumando desvairadamente, bebendo exageradamente, drogando intensamente etc. Uma força maior e de dimensão imensurável nos motiva a crescer, trabalhar, procriar, buscar poder, força, prazer, alegrias... O que é isso e de onde vem?

Uns nomeam esta "energia" de Deus, outros de Universo, alguns de Espíritos, outros nem pensam nisso!
Não estou aqui tentando questionar as crenças de ninguém, até porque ninguém nunca provou a veracidade de nenhuma delas. Até hoje não provamos nem a origem do homo sapiens, imagina então do universo! Alimentamos mais suposições e teses do que certeza e verdades inquestionáveis!

Acho EXPLÊNDIDO o corpo humano, as plantas, os animais, o Sol, a Lua, a Terra, as células, o mar, o átomo, o ar... isso tudo me deixa extasiado... mas não representa nenhuma prova da existência de vida após morte - ou qualquer situação semelhante à vida que mantemos por aqui.

Pessoas descrevem experiências das mais variadas espécies, viagens astrais e inúmeras sensações, mas ninguém realmente consegue provar ou ver o que nos espera do outro lado.

Um assassino da pior espécie precisa ser punido aqui, pois se tivéssemos CERTEZA do que nos espera do outro lado, não precisaríamos fazer nada, era só esperar a sua 'morte' para que ele pagasse pelos seus "erros e pecados".

Parece sensato afirmar que alguém nos criou - sim parece! Alguma força ou energia nos criou e nos colocou aqui neste planeta com o intuito de procriar. Não consigo entender isso!!!!!!! Não sou ateu, não sou judeu, não sou fariseu... apenas exerço a minha capacidade de pensar, levantar dúvidas para poucas respostas!

Posso estar parecendo pessimista levantando estas questões, mas nada mais são do que pensamentos... gotas fora da caneca... questionamentos... expurgos existenciais e metafísicos!

Se você mais julga do que compreende, certamente tem um desafio a transpor.
Se você não acredita no senso comum apenas porque a maioria crê, não está sozinho.
Se você procura resposta e só consegue mais perguntas, fico feliz.
Se você é um desbravador mental de seus medos, dúvidas e incertezas, não é único.
Melhor seguir os passos de quem já trilhou estas cavernas sombrias... dá-lhe Nietzsche!
"Quanto mais nos elevamos, menores parecemos aos olhos daqueles que não sabem voar."

"Odeio as almas estreitas, sem bálsamo e sem veneno, feitas sem nada de bondade e sem nada de maldade."

"Qualquer grande homem possui força retroativa: força a reconsideração da totalidade da história; milhares de segredos do passado saem de seus esconderijos para se iluminarem à sua luz. Ninguém pode prever o que acontecerá a história. Essencialmente, o passado talvez ainda continue por ser explorado! Necessitamos ainda tantas forças retroativas!"
Friedrich Nietzsche

22 de setembro de 2008

Visão para a cegueira



Como sou admirador dos trabalhos do Fernando Meirelles desde o filme Domésticas, não via a hora de poder assistir a personificação dos personagens "anônimos" da obra de Saramago "Ensaio sobre a cegueira" - numa versão mais hollywoodiana "Blindness". Para quem não tenha lido a obra ainda, é importante saber que os personagens não são caracterizados por nomes próprios e sim por substantivos/adjetivos: mulher do médico, médico, rapariga dos óculos escuros etc. Hoje em dia é muito comum best sellers serem transpostos para o cinema. Uns se tornam verdadeiras obras-primas, enquanto outros nunca deveriam ter saído das páginas do livro. Esta responsabilidade é quase total do diretor. Depois de finalizar a leitura do livro, eu estava muito ansioso para assistí-lo. Talvez esta ansiedade tenha sido gerada devido a presença de fatos chocantes e delicados tratados na obra. No filme, os personagens vão perdendo a visão misteriosamente e sem uma causa com justificativa médica. Diferente da cegueira tradicional, todos vão adquirindo uma cegueira branca. São urgentemente reunidos pelo Governo e colocados em um hospital psiquiátrico em quarentena. Ai que os problemas começam, pois são privados de cuidado pessoal e vivem sob condições desumanas. São divididos em alas e rapidamente começam os conflitos de convivência, poder e ganância. A única pessoa que enxerga é a mulher do médico (Julianne Moore) e, por esta razão, acaba se tornando, de certa forma, a mãe de todos. Nas cenas seguintes assistimos a estupros, traições, crueldade, imundices, fome e mais uma infinidade de comportamento humano diante das adversidades que a vida nos coloca. Os atores foram escolhidos com esmero e maestria. Os cenários, em sua maioria são locações externas, trazem uma São Paulo suja e imunda, mas charmosa. Locações em Montevidéu e Canadá dão um ar mais cinza no enredo.
O filme é uma espécie de "ame-me ou deixe-me", não há meio termo.

Enquanto eu esperava pelo início da sessão, fiquei atento aos comentários das pessoas que aguardavam nas filas e na saída da sessão anterior.
Em sua maioria, saíam com cara de "questionamento". Uns pareciam estar em êxtase, outros balbuciavam irritados:
- Não entendi nada! Que filme maluco!
Fique pensando em como alguém pode sentar por duas horas para assistir a um filme e sair de lá dizendo não ter entendido nada?!

As pessoas estão acostumadas a sentar nas poltronas de seus lares e verem filmes fáceis de serem digeridos. A cultura atual da televisão é moldada sobre a cultura do fácil: você senta e sem esforço algum assiste a tudo que se passa em sua frente. Deixa a mente vagar como um zumbi tecnológico.
Quando um filme nos tira deste sossego torpe, temos a tendência em rotulá-lo de "ruim". Nem tudo o que não entendemos pode ser caracterizado de ruim - isto é um preconceiro dos mais grosseiros. Cada filme tem um propósito ao ser produzido, uns foram feitos para nos divertir, outros rir, alguns chorar e outros questionar. No caso de "Ensaio", eu já tinha lido a obra e já sabia o que me esperava nas telas. Certamente, algumas pessoas que estavam de bobeira no shopping e resolveram ir ao cinema... olharam o cartaz, acharam interessante e resolveram entrar.
Quando fazemos isso, temos que ter a consciência do que pode nos esperar. Sempre tem algo interessante a analisar, ver, pensar, apreciar.

Voltando ao "Ensaio"... sai da sala introspectivo aos extremos:
O que nós, seres humanos, somos capazes de fazer para conseguirmos o que queremos?
Qual o preço que pagamos para atingir nossos objetivos?
O que realmente importa, em nossa vida, quando perdemos o conforto material?
É fácil sermos civilizados quando estamos no conforto de nossa casa, do nosso carro e do nosso trabalho. E quando somos privados de nossas necessidades básicas, tais como visão, comida e higiene?
Enxergar é, sem dúvida alguma, uma das melhores coisas da vida. Não só o olhar físico, mas a capacidade de atravessar fronteiras e barreiras. Estar disposto a abrir os olhos diante daquilo que nos cega. Enfrentar o obscuro em busca da luz no final do túnel. Todos os grandes homens da humanidade foram pessoas que enxergavam além do óbvio, além do mediano em que a maioria das pessoas habitam.

O que você vê quando fecha os olhos e encara a sua escuridão pessoal?
Que tipo de claridade você busca quando fecha os olhos diante da vida, das pessoas e dos problemas? Sua cegueira é construída em cima de quais valores?

5 de setembro de 2008

Pegajosa e Doce

Ainda estou chocado com a comoção e a desordem gerada em São Paulo na venda de ingressos para a Turnê Internacional Sticky & Sweet da Mega Diva Cantora Mãe Atriz Dançarina Produtora Empresária e Sexy Simbol Madonna Louise Veronica Ciccone. Impossível não ficar contrariado com tamanho descaso e desorganização da empresa que está subsidiando este evento aqui no Brasil. Não posso deixar de considerar que estamos na maior cidade do país, e que São Paulo é uma das maiores cidades do mundo. Quando li que a cada dia da turnê o estádio comportará em média 75 mil pessoas, fiquei boquiaberto. Imaginei a cena, a multidão, os movimentos, os gritos, a alegria, o choro, a emoção... serão mais de 150 mil súditos para ver a Rainha.
Fiquei pasmo ao ver já na segunda-feira, pessoas de barracas montadas na porta do Credicard Hall à espera do início das vendas dos ingressos. Detalhe: o início foi na quarta-feira ao meio-dia, dois dias depois que os primeiros peregrinos começaram a se instalar na fila. Uma multidão foi se aglomerando. Cada um deve ter sua história de vida, sua razão para estar ali e seus motivos - fique pensando. Pessoas que venderam objetos pessoais, outras pediram demissão para resgatar o FGTS e assim poder usá-lo na compra dos ingressos.

Estava eu à meia-noite do dia 03 de setembro esperando o início das vendas on line, mouse e olhos preparados para a largada (e imaginando a quantidade de pessoas que estariam na mesma situação naquele exato momento). Três, dois, um... já! Inicia-se um processo infinito de clique-clique irritante e angustiante. Página fora do ar, servidores sobrecarregados, F5 insistente e nada! Para um fã, quando mais perto da sua musa, melhor. A frustração também é inversamente proporcional à distância. Receber a saliva "sagrada" de sua musa é motivo de alegria. Quem sabe numa destas ela joga um chapéu, um lenço ou uma gota de suor mesmo.
Já passava das 02h da manhã e nada de eu conseguir efetuar a compra. Comecei a meditar, respirar, rezar para um santo que nem existe ainda: o São Padroeiro dos Ingressos!
Uma amiga chegou na fila de um ponto-de-venda às 05h da manhã e só foi conseguir sair de lá, com ingressos nas mãos, às 22h contente e sorrindo pela conquista, diga-se de passagem. Disse que era a realização de um sonho. Para um outro fã ouvir isto é compreensível, mas imagino para uma pessoa anti-Madonna. Deve achar que a minha amiga é uma mãe desocupada e maluca.
Este fato me fez lembrar de Lênin. Ele pregava que uma das formas de agradar o povo é oferecer algo muito desconfortável por um bom tempo e depois dar algo médio para compensar. Assim o ruim deixará de ser tão ruim e passa a ser até certo ponto desejado. O tal bode expiatório vem a calhar.

Sou um tanto suspeito para afirmar qualquer coisa em relação à Madonna. Jamais esquecerei quando em 1985 eu vi na TV uma mulher vestida de noiva enrolada na grinalda, rolando pelo chão, gemendo e cantando "Like a Virgin". Fui fisgado ali... o adolescente no ápice de seus hormônios sendo atraído por uma figura que pregava o despudor sexual e comportamental. Aquilo foi suficiente! A partir de então, tal como um fã incondicional, comecei a seguir seus passos e sua carreira - construída milimetricamente planejada (ao contrário do que muitos pensam).
Amigos mais próximos já conhecem esta minha fixação por ela. Diria que hoje, já mais maduro, não sou mais tão louco-desvairado assim. Consigo esperar 1 dia para comprar um CD novo, um DVD lançado e/ou qualquer outro objeto que tenha sido "criado" pela deusa. Antes eu recortava até manchetes de jornal que mencionavam o nome dela (quanta paciência e quanto tempo eu tinha naquela época!). Hoje não me vejo dias na fila esperando o lançamento de um DVD ou a venda ingressos para um show, mas ainda assim fico umas horinhas sem stress. Hoje não recorto toda e qualquer reportagem que leia em revistas e jornais, mas não consigo ficar sem lê-las. Já não uso camisetas com suas fotos e letras de músicas, mas ainda assim sustento fotos dela na parede do meu quarto. As prioridades com o tempo mudam. adquirimos umas e abandonamos outras.

Fiquei pensando no que atrai milhões de pessoas a ver uma outra pessoa de estatura baixa (ela tem menos de 1,60m), miudinha, voz fina e beleza comum. Hoje consigo analisar assim, mas se alguém me dissesse tudo isso há alguns anos atrás eu teria criado um legítimo "quebra-quebra" em defesa da imagem da deusa - quanta inocência!
Feia ela não é, mas fica difícil concorrer com uma Nicole Kidman, uma Gisele Bundchen e mais uma legião de mulheres perfeitas moldadas a plásticas, silicones, botox etc; estupenda cantora sabemos que ela não é, mas fica difícil concorrer com a voz de Alicia Keys, Alanis Morissette, Rihanna; ótima dançarina ela não é, mas fica difícil compará-la com uma Débora Colker, Ana Botafogo. Então deduzo que o que admiramos nela certamente não é o esmero físico ou atributos estéticos apenas.

Ela é uma legítima leonina, e como bons leoninos somos de coração bom, sensíveis e muito decididos. Somos vaidosos, alegres, críticos e objetivos. Isso eu até consigo entender facilmente, pois são caraceterísticas que tenho em mim mesmo. Outras questões insistem:
Como uma pessoa consegue movimentar tanta energia em tantas pessoas ao mesmo tempo?
Ela não tem idéia total deste poder - afinal de contas ela não está no dia-a-dia destas pessoas. No máximo ela fica informada de números, cifras, reportagens e retorno financeiro.
Então me resta uma linha de raciocínio. De todas as mulheres midiáticas, ela foi a única (e pioneira) a falar de sexo de forma mais aberta, mais agressiva, mais desafiadora e mais provocante. Brincou com tabus sexuais, com preferências, com o proibido e prazeres ocultos. Isso em plena década de oitenta. Hoje existe uma legião de seguidoras e clones. Todas tentando seguir o rastro deixado pela MÃEdonna - Britney Spears, Kylie Minogue, Christina Aguilera, Gwen Stefani - emitando aparência física e até mesmo tentando ser polêmicas.
Um fato jamais esquecerei. Quando o Papa, na época o nosso saudoso João Paulo II, disse que queria vê-la, ela respondeu: "se ele quiser me ver, pode assistir ao meu show!"
Claro que a intenção dele era justamente "catequisá-la", pois este fato aconteceu bem na época que ela estava pondo fogo em cruzes e beijando santos (Like a Prayer), mas para ela não passou de uma oportunidade de mostrar o poder que mantém.

Tudo tem um preço nesta vida. Recentemente seu irmão mais novo, Christopher Ciccone, resolveu lançar uma biografia onde conta fatos íntimos e pessoais de sua irmã famosa. Ele foi o responsável pelo cenário de suas duas últimas turnês mundiais. No primeiro momento, fiquei pensando na ingratidão e desrespeito que ele teve ao lançar tal livro. Ela é sua irmã, poxa! E não é uma irmã como as que temos. É uma pessoa extremamente visada, conhecida e responsável por ditar comportamentos no mundo tudo. O que ele quer com isso? Mostar que ele tem mais poder do que ela ou está apenas exercitando a sua frustração por algo pessoal que tenha acontecido entre os dois? Por enquanto ainda não saiu aqui no Brasil, então só esperar e ler para entender os reais motivos para tamanha ingratidão (isto é, se a tradução for de boa qualidade).

Depois de experimentar o mundo e o mundano (mesmo acreditando que o que vemos dela não é exatamente o que ela é, mas o que ela quer que vemos), resolveu casar, criar filhos e morar numa "fazenda" nos arredores de Londres. Pratica yôga, cabala e ótimos hábitos alimentares e esportivos. Está impecável no auge dos seus 50 anos! Até a voz amadureceu, ficou mais afinada - consegue atingir tons antes impossíveis. Está com corpo mais firme - resultado de horas na academia e no yôga. Escreveu uma coleção de livros infantis. Lançou um documentário onde teve intenção de mostrar-se mais humana, mais perto de nós simples mortais. Adotou uma criança negra e órfã, gerou protestos no mundo todo com esta atitude.

Got no boundaries and no limits
If there's excitement, put me in it
If it's against the law, arrest me
If you can handle it, undress me
(Give it to me - Madonna)

Eu me pergunto: Por que, nós seres humanos, temos a necessidade visceral de idolatrar outros seres humanos como se fossem deuses imortais?

P.S.:
Acabei de ler que ela fará outro show na cidade do Rio de Janeiro. No total serão 4 shows no Brasil. Nosso país é mesmo assim, exagerado em tudo: na bondade, na amizade, na geografia, no talento, na beleza e na amistosidade. Temos em nós uma inexplicável necessidade de agradar os "gringos" que nos visitam. Eu me divirto...

P.S.:
Acabei de saber, novamente, que ela fará um quinto show no Brasil. Agora serão 3 em São Paulo (18, 20 e 21 de dezembro) e 2 no Rio (14 e 15 dezembro). Uau... isso que é ter admiradores!!!