11 de junho de 2008

Banho de DOR




Meses
Semanas
Dias
Horas
Minutos
Segundos
Milésimos
Centésimos
Terceiros seres humanos
Sujos, sem-teto, desdentados

Eis mais um bicho humano cadente
Uma fonte de água límpida num corpo sujo
Ele se lava na gélida água
Ele se pune na fria água
Ele se purifica na congelada água
Sorri, pula, grita - isto te irrita?
O chafariz imponente, romano e grandioso
O sorriso sem dente, triste e perdido

Seria ele o louco?
Tão pouca diferença faz
Ele ri, sorri, grita e parece em paz
Nem frio sente - imagina a gente que passa
Gente que reclama por ter que acordar cedo
Gente que inflama o peito para brigar com um estranho na rua
Gente que conclama ser melhor do que o melhor dos melhores

Nu, negro corpo, esguio - trapos pendurados
Seu sexo exposto - ofende nossa moral?
Escuridão mental, mergulho infinitesimal
Que dimensão vagará ele?
Será justo querer trazê-lo à nossa realidade?

Pensamentos
Segundos
Minutos
Horas
Dias
Semanas
Meses
Anos
Décadas
Gerações
Planetas
Via Láctea
Universo
E o bicho humano se lavando continuará
Minha mente lamenta, atormenta, salienta minha dor. Minha dor humana!

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Forte abraço,
Flávio