23 de junho de 2008

Passagem

Sua presença em espírito
Fortalece sua ausência
Minha busca e procura
Necessárias
Diante de meus olhos, a dúvida.

Quero seu retorno imediato
Quero seu amor hiato
Escalar morros íngremes
Minha tristeza inefável!
Diante de meus olhos, a dúvida.

You past way – diria o gringo
Fui eu que estacionei?
Desacredito
Prefiro a dor da saudade.
Masoquismo – certamente

Atitudes me faltam
Força e coragem me são alheias
A procura incessante
A derrota é toda nua.

Diante de meus olhos, a dúvida...

(Homenagem ao meu inesquecível irmão José Vicente)

14 de junho de 2008

Águas Flaviais


Um traço em linhas
Escolhidas a risca,
Um frasco de emoções
Incógnitas ariscas,

Expõe, e recolhe-se
Não precisa prévio aviso
Basta absorver o olhar
Fullgas, assim, de improviso,


E tem na voz a melodia
Dos tambores de Angola,
A ferocidade das águas do Kwanza,
As dores, seu peito imola,

Traz ventura que alumia
As noites sem lua de outrora
A dor e a destemperança,


Nas juras secretas dos rios
Desejos a cantarolar,
Segredos de um alvorecer
Guardados em mananciais,
Pois bendito seja o ser
Que um dia navegar
Em suas águas Flaviais.


Ao querido amigo e companheiro nas letras. Beijo grande!
Maria Júlia Pontes

11 de junho de 2008

Banho de DOR




Meses
Semanas
Dias
Horas
Minutos
Segundos
Milésimos
Centésimos
Terceiros seres humanos
Sujos, sem-teto, desdentados

Eis mais um bicho humano cadente
Uma fonte de água límpida num corpo sujo
Ele se lava na gélida água
Ele se pune na fria água
Ele se purifica na congelada água
Sorri, pula, grita - isto te irrita?
O chafariz imponente, romano e grandioso
O sorriso sem dente, triste e perdido

Seria ele o louco?
Tão pouca diferença faz
Ele ri, sorri, grita e parece em paz
Nem frio sente - imagina a gente que passa
Gente que reclama por ter que acordar cedo
Gente que inflama o peito para brigar com um estranho na rua
Gente que conclama ser melhor do que o melhor dos melhores

Nu, negro corpo, esguio - trapos pendurados
Seu sexo exposto - ofende nossa moral?
Escuridão mental, mergulho infinitesimal
Que dimensão vagará ele?
Será justo querer trazê-lo à nossa realidade?

Pensamentos
Segundos
Minutos
Horas
Dias
Semanas
Meses
Anos
Décadas
Gerações
Planetas
Via Láctea
Universo
E o bicho humano se lavando continuará
Minha mente lamenta, atormenta, salienta minha dor. Minha dor humana!

10 de junho de 2008

Curiosidades e Alternativas


1 x 8 + 1 = 9
12 x 8 + 2 = 98
123 x 8 + 3 = 987
1234 x 8 + 4 = 9876
12345 x 8 + 5 = 98765
123456 x 8 + 6 = 987654
1234567 x 8 + 7 = 9876543
12345678 x 8 + 8 = 98765432
123456789 x 8 + 9 = 987654321

Não é engraçado como tudo em nossa vida é regido pelos números?

Temos uma data de nascimento, um número de telefone (vários números, por sinal), um número de RG (CPF, PIS etc), um número de calçado, um número de residência, um peso corporal, uma altura etc etc etc.
Não é interessante???!!!!
Pare para pensar...!




Man Tall




Mente
Quem sonha
Sorri
Briga e Lamenta
Lenta a mente!

9 de junho de 2008

Medo


Tenho medo e não sei do que
Sonho tudo e desejo ter
Acredito no futuro sem entender
Vivo a esperança de ter você
Preciso buscar forças dentro de mim
Ilusiono estar diante de um amor sem fim
Questiono o que será de mim
Fujo da realidade em minha frente
Procuro a mina do desejo latente
Choro por não ter você em mente
Ando em vão a te procurar sorridente
Acalmo feras e dragões criados
Busco seu brilho e sorriso amados

Sinto sua voz e alma sugados
Tenho medo e não sei do que...
Vivo o medo e não sei o porquê...

Crio o medo e nem sei para que...

8 de junho de 2008

Mas eu Juro












Maju é assim:
Com olhos infinitos,
Profundos,
Hipnóticos,
Intensa no rir, no falar, no agir
Sangue oriental
A uma mistura animal
Um sossego turbulento
Um simples juramento
Eis Maju!
Pés descalços
Braços arranhados
Suor latente
Em busca do suco, só sumo
Eis o meu caju!

Não olhe, ela queima!
Não pense, ela decifra!
Não fale, ela devora!

Maju... eu juro!

(Poema dedicado à Maria Júlia: uma alma-irmã neste universo poético)

Fome











Alimente uma ilusão
Ela se concretiza
Alimente um sonho
Ele se realiza
Alimente um sentimento
Ele se reproduz
Alimente um rancor
Ele te dilacera
Alimente um olhar
Ele te fere
Alimente um sorriso
Ele prospera
Alimente um não
Ele responde
Alimente um talvez
Ele se oculta
Alimente um sim
Ele concorda
Alimente o amor...


E sinta fome!

Flávio Vicente

O leão e o rato


Um Leão foi acordado por um Rato que passou correndo sobre seu rosto. Com um salto ágil ele o capturou e estava pronto para matá-lo, quando o Rato suplicou:
- Se o senhor poupasse minha vida, tenho certeza que poderia um dia retribuir sua bondade.
O Leão deu uma gargalhada de desprezo e o soltou.
Aconteceu que pouco depois disso o Leão foi capturado por caçadores que o amarraram com fortes cordas no chão.
O Rato, reconhecendo seu rugido, se aproximou, roeu as cordas e libertou-o dizendo:
- O senhor achou ridículo a idéia de que eu jamais seria capaz de ajudá-lo. Nunca esperava receber de mim qualquer compensação pelo seu favor; Mas agora sabe que é possivel mesmo a um Rato conceber um favor a um poderoso Leão.

Moral da História: Os pequenos amigos podem se revelar grandes aliados


Contada por Esopo e recontada por La Fontaine