30 de dezembro de 2008

E agora..?




E agora, Santa?
A ceia acabou
Os presentes abertos
O peru assassinado
O chester devorado
As sementes (uva) embrulhadas
O vinho entornado
Os abraços dados
Os beijos selados
Sorrisos dispersados


E agora, Noel?
Luzes e cores distribuídas
Árvores montadas
Sonhos vendidos
Esperanças renovadas
Rancores abandonados


E agora, Papai?
O ano acabou
O champagne estourou
Taças tilintaram
Espumas derramaram
O branco imperou
As ondas puladas
Farofas oferecidas
Despachos criados
Tambores ritmados
Dólar subindo
Crise chegando


E agora, Brasil?

22 de dezembro de 2008

Madonna beija Jesus


Foto tirada no show do dia 18/12/2008 no Morumbi - platéia VIP



Ela desceu do Olimpo e até ousou beijar um mortal. O escolhido foi Jesus Luz - nenhum outro seria mais apropriado!

Para uma sessão de fotos, feita no Hotel Glória no Rio de Janeiro, ela escolheu dentre tantas opções do casting um modelo brasileiro para o trabalho. Quando descobriu que o nome dele era Jesus Luz, ela disse que não podia ser outro! Madonna x Jesus. Ontem, aqui em São Paulo, após o último show da turnê, levou o modelo de 21 anos para um bar, dançou a noite toda, bebeu e o levou para o seu hotel. Dá-lheeeee... imagina a cabeça deste garoto, vai precisar de terapia, pois sua vida nunca mais será a mesma!


Madonna desceu de sua espaçonave alienígena e deixou todos os habitantes do planeta terra boquiabertos com seu show tecno-musico-sexo-performático. Fui a 2 shows - dia 18/12 fiquei na pista VIP e dia 20/12 na pista comum. Ambas experiências, que se completam, foram extasiantes!

Incrível como pessoalmente ela é MUITOOOO mais bonita do que em fotos, videos e filmes. Mesmo com estatura média (sim ela tem 1m60), consegue atrair a multidão. Sua energia é invejável - mesmo com seus 50 anos consegue o que a maioria de 30 nem ousaria tentar. A custo de muita malhação, alimentação, determinação (e por que não, alguns procedimentos cirúrgicos?!) ela está impecável no seu corpo enxuto, torneado e definidíssimo!


Esta experiência que tive ao ficar menos de 2 metros de distância dela será marcada eternamente em minha memória! Nenhuma das 500 fotos que tirei dela, nem tampouco os vídeos que gravei, conseguirão expressar o que senti ao vê-la de tão próximo pela primeira vez!!!!!! Coisa de fã - diriam as pessoas, mas não se trata apenas disso! Ela representa uma coletânea inconsciente de sentimentos, atitudes, comportamentos e modo de vida! Ela é o lado bom do que uma celebridade representa. Cometeu erros, excessos e ousadias ilimitadas, sim sabemos disso. Mas já diz o ditado religioso: "quem nunca errou...".


Caso você queira ver algumas fotos que tirei no show, acesse o meu fotoblog, lá também postarei alguns vídeos que gravei.




E a vida continua... os deuses não habitam entre nós.

17 de dezembro de 2008

Madonna x Madonna




AMBIÇÃO
Sou grossa, ambiciosa e sei exatamente o que quero. Se isso me torna insuportável, tudo bem.
Tenho o mesmo objetivo que tinha quando ainda era menina. Quero dominar o mundo.


FEMINISMO
Mulheres fortes deixam chupões bem grandes Não sou feminista, sou humanista.


RELIGIÃO
Gostaria de ver o papa usando minha camiseta O catolicismo não é uma religião acolhedora. É uma religião dolorosa. Somos todos gulosos por castigos.


CELEBRIDADE
Não serei feliz até que seja tão famosa quanto Deus Não me importo mais se as pessoas se vestem como eu. Agora quero que pensem como eu.


SEXO
Todo mundo acha que sou uma ninfomaníaca alucinada, que tenho um apetite sexual insaciável, quando eu preferiria mesmo ler um livro Todos te amam quando estão prestes a gozar. Todo homem precisa ter a língua de outro na boca pelo menos uma vez. Não confio em nenhum cara que não tenha beijado outro.


MATERNIDADE
A última coisa que quero é uma pentelha. Quero que a Lola [filha de 12 anos da cantora] aprecie as coisas, que não seja presunçosa, que tenha modos


INTIMIDADE
Acho que minha maior falha é minha insegurança. Sou amaldiçoada por isso 24 horas por dia. Família é tudo, em primeiro lugar. Não é o que eu esperava que seria, mas nada nunca é o que a gente espera


CASAMENTO
Sou obsessiva, compulsiva, workaholic. Tenho insônia e sou obcecada por controle. Quem poderia me aturar?


VELHICE
A sociedade discrimina pela idade. Num certo momento, já não se tem mais o direito de ser aventureira, não se pode ser sexual. Existe uma regra? Somos obrigados a morrer?

16 de dezembro de 2008

Ave Madonna!


Ela desceu do Olimpo, está mais próxima dos mortais. Joga suas bençãos sobre a humanidade com seus gestos, movimentos e seu canto. Mesmo quando tropeça e cai, em pleno show no palco (ou seria altar?!) - o que a tornaria uma deusa-humana (ou seria desumana?!) - ergue apenas a sua perna sagrada e continua sua dança sob a chuva torrencial que lava às almas dos fiéis na capital fluminense. Conversa com o público, reclama da chuva, veste a camisa número 10 da seleção brasileira e encerra o show sob gritos e histeria de fãs e admiradores.

Agora é a vez de nós paulistanos - pelo menos eu me considero muito mais paulistano do que muitos que nasceram aqui na capital.

Certamente existirá uma vida antes e uma depois ao vermos um ídolo ao vivo.

"Time goes bye so slowly..."


12 de dezembro de 2008

Ensaio por dentro



Um desejo depressivo invade seu corpo. Ele não entende o motivo, mas sente-se mal, despedaçado e sem força para viver. Olha para todos em sua volta e não acha a menor graça no que as pessoas falam, riem ou fazem. Pelo contrário, acha tudo estúpido e idiota demais!
Por que as pessoas fingem sentir o que não sentem?
Pelo que as pessoas vivem e trabalham? Buscam o que afinal de contas?
O amor não existe. As pessoas projetam seus interesses no outro! – dizia ele a si mesmo.
Uma dor de cabeça insiste em suas têmporas, causando um certo mal estar suportável.
Passa a mão pelos cabelos, mas fica irritado com a textura dos fios, parecem secos e opacos.
A vontade que ele sentia era ficar em casa trancado quietinho no escuro no total silêncio.
Será que estou depressivo? – questionava-se.
Olha seus e-mails pessoais e não lê nada que lhe desperta a atenção, seleciona tudo e deleta.
O mundo lhe parece cinza, o tempo está cinza lá fora, dentro dele também.
Procura uma música para ouvir, mas qualquer tipo de som o deixa irritadiço.
Foi até o banheiro, lavou o rosto. Olhou-se e odiou o que viu.
Saco, o que está acontecendo comigo? – pergunta-se.
Por alguns instantes pensou em se matar, dar um fim neste mal estar generalizado.
Quanto tempo as pessoas notarão a minha ausência e me encontrarão morto em casa? – maquiavelicamente pensou. Teve medo da resposta.
Não acreditava em deus, muito menos em vida após a morte. Um pensamento invadiu-lhe a mente: E se existir algo depois que morremos? Você pode estar colocando tudo a perder, seu idiota! Deixa de ser covarde e fraco, encare as coisa e frente!
Procurou em suas memórias alguma lembrança agradável que lhe trouxesse sensações positivas a respeito da vida. Buscou em seu celular o telefone de amigos, talvez se ligasse para algum deles seria resgatado deste umbral depressivo. Desistiu.
Eu odeio multidão, odeio confusão de gente, odeio as pessoas! – rogou praga a si mesmo.
Gastava muita energia odiando e pouca energia construindo. De onde vem tanto ódio?
Resolveu ler um pouco, afinal de contas ler era algo que ele fazia com imenso prazer.
Por minutos ficou parado olhando para parede, sem nenhum movimento.
Sua cabeça rodava, mil pensamentos povoavam sua mente.
Viver é uma idiotice, pois nem sabemos o que nos espera! Seres humanos são tão tolos! – ao dizer estas palavras lembrou de seu pai. Teve fome, resolveu tomar água. Estou gordo! – beliscou a barriga. Aquele mal estar insistia e ele não teve dúvida, tomou 3 comprimidos para dormir e foi para o sofá assistir filmes policiais. Era estranha a sensação que ele tinha toda vez que assistia a um filme policial, parecia ter prazer em ver armas de fogo. Um prazer lúgubre, insano. Adormeceu.

8 de dezembro de 2008

Babel



Uma coisa é certa: é impossível ficar arredio às histórias narradas no filme Babel (drama de 2006 dirigido por Alejandro González Iñárritu e com roteiro de Guillermo Arriaga). Um sucessão de fatos, inicialmente isolados e fora de sequência, levam-nos a pensar seriamente em nossos valores morais-éticos. A todo tempo eu me esqueci que estava assistindo a um filme, pois a sensação que tinha era de estar vendo um documentário jornalístico-social. Personagens locais foram usados em várias cenas, dando assim um ar verossímel e profundo às atitudes entrelaçadas dos fatos.

Brad Pitt, que até então eu o considerava apenas um ícone contemporâneo de beleza capitalista, vive com verdade o personagem Richard Jones, é convincente e muito criterioso ao dar uma sensibilidade coerente de marido arrependido. Cate Blanchett dá um show delirante e realista que extrapola aos limites do verdadeiro, ela vive Susan Jones, uma mãe triste e sofrida, muito apaixonada pela marido. A vida de ambos jamais será a mesma diante dos fatos que os envolvem.

Universos diferentes são abordados - um deserto no Marrocos; uma cidade no Japão e uma cidade próxima a Tijuana no México. Estilos de vida antagônicos, mas com pontos dramáticos convergentes. Atores talentosos são usados em todas as cenas. Um cinema marginal até certo ponto, com toques de urbanidade. O diretor mexe com nossos brios morais. Flerta com o incesto entre irmãos, brinca com as drogas, ironiza o terrorismo, satiriza o desejo de viver nos EUA, fala pelos cotovelos com a personagem surda-muda que dá-nos maestria cênica... mostra-nos uma realidade que tentamos esconder o tempo todo, talvez por medo, talvez por dor.

Não quero estragar o prazer de quem ainda não assistiu ao filme, muito menos focalizar o meu unilateral ponto de vista.

Até que ponto uma atitude nossa é responsável por desencadear uma desgraça alheia como num efeito dominó?

Para quem gostar, vale assistir aos outros dois filmes do mesmo diretor - que a meu modo encerra uma trilogia imperdível: Amores Brutos e 21 gramas.

Prepare-se, pois o seu modo de ver a vida será, no mínimo, questionado. Seja forte, insista.

Este é o papel real do cinema: educar, questionar, vivenciar... transgredir.

Encerro com uma pergunta: para você por que o diretor nomeou o filme de BABEL?

7 de dezembro de 2008

Seca Parda x Enchente Branca



Uma amiga, depois de ler meu artigo sobre a enchente em SC, me disse:
- Flávio, eu li seu artigo e gostei, mas você já parou pensar que no Nordeste as pessoas passam fome e sede por décadas e ninguém está nem ai?

Esta pergunta me soou como um tapa na cara, não um tapa ofensivo, claro, pois a Dani é uma pessoa que gosto muito e além do mais tem um apurado senso crítico na leitura.

Sim, ela conseguiu me deixar ainda mais inquieto, pois ela tinha razão.

Estamos todos ABALADOS com as enchentes no SUL do país, mas a seca no NORDESTE tem matados milhares de pessoas todos os anos e nada é feito. Nós não movemos tanta energia quando aquela que está sendo movida para ajudar as vítimas do SUL.

SUL x NORDESTE = BRANCO x PARDO

Seria ainda a eterna predominância dos interesses brancos sobre as necessidades pardas???

Dani, este artigo deveria ser escrito por você... PARABÉNS pelo apurado senso crítico!

Penso comigo... como somos INJUSTOS, mesmo quando estamos pensando em sermos JUSTOS!

E agora, o que faremos?

4 de dezembro de 2008

(I)mundo oculto


Reprodução do original: O grande masturbador - Salvador Dalí

As pessoas (se) escondem
Ocultam desejos, miram sonhos e devaneios mal traçados
Constroem muros, barreiras, fortalezas, bunkers
Esquecem das pontes, das escadas, das trilhas, dos atalhos

Frenética busca inconstante
Baseada no eterno "não sei o que"
É trânsito, é trabalho, é namoro, é sexo
É cinema, é shopping, é televisão
É dormir, é sonhar, é acordar
É conta, é dor, é suor

Corpos perfeitos emolduram nossos olhos
Lindas Giseles, perfeitos Malvinos
- Use o jeans "x" e seja perfeito!
Salientam nossos defeitos
Massacram nossa coragem
Tiram nosso sono
Inqueitam-nos
Versace salientaria

Criança drogada no chão
Assalto à mão armada, coração frágil
- Tio, dá um trocado!
É violência, é atraso, é correria
É perder, é lutar, é desistir
É comer, é rir, é chorar sem rir
É ganhar, é trair, é lutar
Freire estudaria

Rios de dinheiro
Poluição onipresente
Câncer, gripe, febre, vírus
- Moço, dá um antibiótico!
Toma, bebe, dorme
Imundo por dentro, sujo por fora
Assustador na periferia
Lobo na pele de cordeiro
Lixo humano
Esopo riria

Casamento faliu
Namoro raro
Ficar, transar, experimentar, experienciar - eis o lema
Hétero (ssexual), Gay, Homo (ssexual), Bi (ssexual), In (deciso)
Mulher masculinizada, homem efeminado
Salda de fruta sexual
Freud dissecaria

Personalidades mutiladas
Pessoas jogadas
Sobrevivência - eis o lema!
Darwin entenderia

Pessoas frenéticas
Onde corpos perfeitos
Desenvolvem uma violência aguda
Roendo-se numa podridão oculta
Elevando-se ao sexo transviado

Ser mutilado
E ainda transmutado
Resta o vasto mundo

Imundo

São Paulo, 04/12/08

1 de dezembro de 2008

SC: Santa Catástrofe



Catástrofe:
■ substantivo feminino
1 acontecimento desastroso de grandes proporções, ger. relacionado a fenômenos naturais, que provoca morte e destruição

Impossível não se abalar com os acontecimentos que têm assolado a Região Sul, mais especificamente Santa Catarina. Fico pensando o tempo todo nas pessoas desabrigadas, crianças tristes, vidas perdidas... Acordar um dia sem ter onde morar, perder tudo e todos! Como seria isso? Qual sentimento nos apossa esta hora? Um Estado com nome de santa, mas com punições de apocalipse!

Estou muito comovido com a atitude o nosso país. As pessoas estão sendo sólidárias. As televisões, pelo menos, estão fazendo um jornalismo útil e voltado para o lado humano da situação - óbvio, aproveitando para fazer também o que sabem fazer bem: sensacionalismo!

Uma coisa é notória: não estamos preparados para enfrentar grandes catástrofes naturais! Nunca tivemos terremotos (salvo raros abalos sísmicos de pequena escala), nunca tivemos furacões (salvo alguns pequenos ventos de correntes), nunca tivemos ataques terroristas (salvo atos de vandalismo, sequestro e crimes hediondos), nunca tivemos vulcões em atividade (salvo o calor insuportável em algumas regiões do norte/nordeste)... mas ainda falta treinamento nas escolas para aprendermos a lidar com grandes catástrofes, principalmente as de origem natural.

Alguns afirmam que somos um país abençoado. Por um lado têm razão, mas por outro, eu me pergunto: abençoado por que?
Quando viajamos para a Europa, por exemplo, percebemos um povo que tem muita cultura, muita tecnologia e muita oportunidade de vida, mas carecem em sua totalidade de algo que nos sobra: calor humano! Isso não se aprende, não se adquire... isso vem com nossos códigos genéticos! Está em nosso sangue, nosso ser e na nossa alma!

Parabéns a cada um que doa o seu tempo/dinheiro da forma que pode, são atitudes assim que nos fazem ser um povo diferente, caloroso, humano e, acima de tudo, SOLIDÁRIO!
E você, o que tem feito?

24 de novembro de 2008

Play me, I'm Yours!


Foto (celular) tirada na Estação Santo Amaro em 24/11/2008


Fiquei muito contente com o Projeto (Play Me, I’m Yours) do Inglês Luke Jerram, que instalou vários pianos em diversos pontos da cidade. Eles ficam lá, esperando alguém ter coragem de tocá-los. Livres para o uso e manipulação de qualquer pessoa interessada.


SENSACIONAL....


As pessoas não estão acostumadas com música assim ao alcance de seus próprios dedos. Uns olham desconfiados - talvez achando ser pegadinha; outros aproximam lentamente disfarçando o interesse; alguns são ousados e já sentam e improvisam qualquer som! Uma coisa é certa: é impossível não notar esta peça musical tão bonita, significativa e importante na história da música.


Lendo melhor sobre o projeto, descobri a relação de locais onde estão os instrumentos. Segue abaixo a relação, para quem tiver a oportunidade e/ou coragem de se embrenhar no universo da música culta:


Poupatempo da Sé
Largo de Santa Cecília
Marquise do Parque Ibirapuera
Estação Santo Amaro - CPTM
Estação da Luz
Parque da Juventude
Pátio do Colégio
Largo de Pinheiros


Para quem quer saber mais, e só acessar o site pianosderua.com.br


É uma atitude digna de louvor, pena a iniciativa ser de um inglês. Quem sabe a gente não coloca um pandeiro ou um berimbau na entrada do Parlamento inglês...!


Antes tarde do que nunca!


Friends gone... e agora?



Este final de semana terminei de assistir todas as 10 temporadas do seriado "Friends". Quando terminei de comprar todas as temporadas, fui assistindo um, dois, três episódios diariamente - sempre que sobrava um tempinho ou quando eu queria rir, rir, rir e descontrair descompromissadamente... assim passei os últimos meses, embuido na amizades de amigos engraçados, trágicos e verdadeiros.


O último episódio é aquele que a gente assiste com o coração na mão, torce pelos personagens, tal como fazemos por um amigo próximo que muito amamos.

Dei altas gargalhadas - sozinho em casa, com certeza se o vizinho me ouviu deve ter tido certeza que sou louco! - fiquei triste, alegre, chorei... foram tantas emoções em menos de 1 horas, tal como uma montanha-russa. Eu não queria acreditar que tudo acabaria.


Depois que terminei, tive que voltar para o mundo real com a sensação de que os meus "friends" ficariam bem. Engraçado pensar na capacidade que temos de amar personagens que não existem na vida real, que são apenas frutos da imaginação de escritores e de nossa projeção inconsciente. Eu tenho uma amiga que é muitoooo parecida, comportamentalmente, com a Phoebe. É loira, alta, bonita, corpo esbelto e totalmente perdida e sem noção de algumas coisas. Só de olhar para a cara dela eu acho graça. Se ela fica nervosa com alguma coisa, ai sim eu dou gargalhada. Acho até que o louco sou eu. Uma vez, em dezembro do ano passado, eu mandei um e-mail a ela, pedindo o seu endereço pois queria mandar um cartão de Natal. Ela me respondeu, mais ou menos assim:
Ah, Flá, você irá amar Natal, eu estive lá ano passado e é linda a cidade.
Eu quase tive que ser levado ao pronto-socorro quando li o e-mail resposta de tanto rir. Enquanto eu estava falando da data comemorativa do papai-noel, ela estava pensando que eu iria viajar para a cidade de Natal. Foi hilário... passei meses tirando sarro dela.


A junção de qualidades que encontramos facilmente nos amigos é que fez o sucesso de "Friends". Cada um tem características que considero universais: Joe: canastrão, ator, mulherengo, guloso; Phoebe: vegetariana, sincera, desastrosa cantora, mística; Rachel: sexy, funcionária da Ralph Lauren, sensível, perfil de loira; Ross: inteligente, professor universitário, atrapalhado, ficcionado por arqueologia; Chandler: patético, piadista nato, inconveniente; Mônica: neurótica por organização e limpeza, radical, chef de cozinha, competitiva, mandona.


Claro que as qualidades mencionadas acima são apenas ínfimos exemplos do que os personagens são e foram ao longo dos 10 anos em que o seriado durou na TV.


Penso que hoje em dia não fazemos amigos com tanta substância. Estamos mais envolvidos com contatos via msn, via celular, via e-mail, via torpedo, via skype etc. Não ousaria dizer que é melhor ou pior, mas afirmo que é diferente do que aprendi a nomear 'amigo'. Ainda mais para mim, que cresci correndo e nadando nos córregos, chupando manga e jaboticada nos pés, brincando de queimada nas ruas e voltando para casa com os joelhos ralados. Cortávamos mamão verde fazendo dois olhinhos e boca, depois colocávamos uma vela acesa dentro dele e deixávamos em cima dos muros - com a intenção de assustar os passantes. Já engoli peixinho vivo porque acreditava que assim poderia aprender a nadar sem esforço - ah! não acredito que fiz isso!!!!! A dor foi tanta ao saber que estava engolindo um animalzinho vivo - acho que meus instintos vegetarianos já estavam se preparando para aflorar.


Colegas temos aos montes, dezenas, centenas, milhares... temos contatos no orkut, na agenda de e-mails, no celular...


E amigos, quantos você têm de verdade? Tem coragem de pensar nisso? Você é amigo de alguém?


19 de novembro de 2008

O Natal é um estado de espírito?

Para muitas pessoas o Natal representa presentes, alegria, família, amigo-secreto, papai noel, neve, árvores coloridas, decoração nas lojas... etc.
Para tantas outras o Natal simboliza ausência, tristeza, solidão, inimizade, perda, sede, dor, vontade, frio, fome... etc.

Eu mesmo, quando chega o Natal, fico mais contente e alegre porque junto a ele somo tantos outros acontecimentos inspiradores: final de ano na pós-graduação, ano novo, mais um ano com saúde e prosperidade (não esquecendo que este mesmo ano somado cronologicamente me deixa mais experiente) e tantos outros sentimentos agradáveis.

Nesta época, mais do que nas outras, o consumismo nos consome!
Consome nosso tempo, nosso dinheiro, nossa vontade, nossos desejos e nosso equilíbrio mental-financeiro.
É promoção disso, daquilo, e tudo o que precisamos comprar de qualquer jeito, tudo é útil - até encontrarmos, depois de anos, guardado no fundo do armário empoeirado e na embalagem aquele aparelho de ginástica que prometia milagres.
Gastamos mais do que deveríamos, usando como desculpa "É Natal poxa!", quando muito não dizemos "Eu mereço".
Neste ritmo começamos o ano com dívidas e com um sensação de que nada novo aconteceu.

Instala-se o dilema do "prazer x razão". Se bobear a culpa faz moradia, ai as coisas complicam.

Uns pagam o preço, outros pagam as dívidas e outros ambas as coisas.
Junto ao excesso do consumismo, vem uma enxurrada de mensagens para sermos caridosos, doar sem pensar a quem. Nossos anjinhos mentais ficam brigando, o do bem quer doar, o do mal quer gastar.


Esta semana me peguei sorrindo ao ver papai noel no shopping com uma criança no colo tirando uma fotografia. Rapidamente olhei para os lados e me recompus, com a minha maligna consciência me retalhando "Hey, vc não é mais criança, caia na real!". Mas de imediato eu contrapus: "Não me interessa, eu adoro ser criança, gosto de Em busca da Terra do Nunca e adoro O Mágico de Oz!". Não adiantou, ela passou o resto do dia me azucrinando. Chegando em casa fui assistir Friends (diria que é a única série de TV que me consegue fazer rir), mas mesmo assim a bendita me torturou.

Agora proponho um exercício, rápido, durará menos de 1 minuto, prometo! Se você realmente se importa consigo não vai resistir:

Feche os olhos e respire PROFUNDAMENTE e solte o ar LENTAMENTE pelo nariz. A seguir pense na sua infância, na imagem mais antiga que conseguir trazer ao consciente!
Procure lembrar de detalhes como cor, temperatura e sensação.

Qual foi esta imagem e esta lembrança?

Este é você... tudo que for diferente disso, é fruto do mundo que vivemos!

15 de novembro de 2008

Não me conformo!!!!!




Até que ponto a nossa vã responsabilidade vai continuar permitindo isso?

Por que é mais fácil fingir que "isso" não existe?

Tem sentido comemorar o Natal?

8 de novembro de 2008

Apólogo: A troca das cadeiras


Certa vez, estando cansada de agüentar o peso de seu próprio dono, a cadeira resmungou à sua companheira mesa:


- Cansei de ser sentada. Ninguém me trata com respeito, o meu dono chega da rua de qualquer jeito e vai logo se acomodando aos trancos. Se ao menos tivessem mais pessoas nesta casa. Se bem que o seu peso vale por três. Isto sem mencionar os odores...


A mesa, em sua magnânima postura – toda de vidro temperado, pernas de aço escovado com design europeu – fingiu não ouvir nada.


A cadeira continuou a lamentação:
- Além do mais somos quatro aqui e eu sou sempre a escolhida, não é justo, quero trocar de posição. Acho mais do que justo um rodízio semanal de lugares. É o meu direito exigir a troca constante! Só eu estou ficando velha enquanto todas as outras três ficam jovens e lindas!


Sua colega da esquerda, num ar blasé, retruca:
- Foi você quem escolheu ficar de frente para porta, querendo ser a primeira a ser vista pelos visitantes. Agora paga o preço, bem feito! Meu primo sofá sempre me dizia: “o apressado come cru”.
- Escuta aqui, desde o início eu notei a sua inveja sobre a minha posição! Não tenho culpa se meu jeito de ser te incomoda!
- Inveja?! Eu?! Você só pode estar delirando, eu continuo até hoje com o plástico cobrindo a minha pele. Tenho aparência de nova, ainda conservo o odor da minha mãe fábrica. Só fui usada por três vezes e todas elas foram por crianças.


A mesa continuou ouvindo por horas aquela ladainha de lamúria.


Ao ouvirem o barulho da chave na porta, todas silenciaram. Era a empregada chegando para cumprir a sua rotina semanal de limpeza.
A cadeira da direita não resistiu e sussurrou à sua inconformada colega:
- Hoje é a sua chance de mudar de lugar, a faxineira sempre nos coloca de pernas para cima logo após o almoço, posso trocar de lugar com você nesta hora. Eu já cansei de ficar escondida entre a parede e o sofá. Nem resto de comidas caem sobre mim. Nem lustrada direito eu sou. Quero me sentir útil, usada, quero servir ao meu dono. Se quiser, podemos trocar. Não nasci para ficar oculta.
- Obrigada amiga. Vamos aproveitar a faxina da tarde e mudaremos.


Neste instante, a mesa que até então nada falava, disse:


- Meninas, que adianta ficarem brigando por posição se todas vocês sempre estarão embaixo de mim? Estando à direita, à esquerda, na frente ou atrás, não importa. Todas sempre serão usadas para que eu possa fazer o meu trabalho. Sou usada para comer, ler, conversar, jogar baralho, escrever... e vocês, para que servem além de sentar?! Nem isso sabem fazer com majestade. Preocupam-se muito com o status e pouco com a serventia. Cada ser tem um propósito neste mundo. Não queira ser uma obra de arte, conforme-se em ser cadeira, feita para sentar. Não se trata de ser menos ou mais do que ninguém. Imagina se todas as cadeiras quisessem ocupar o mesmo lugar! A dignidade vem com a capacidade de entendermos o nosso lugar no mundo.
Neste momento um silêncio profundo dominou a sala, pois as cadeiras respeitavam muito o que ouviam da mesa, pois quando elas chegaram naquela casa, a mesa já estava ali.


A faxineira toda serelepe com balde e pano nas mãos aproximou, começou afastar todos os móveis, e, como era previsto, colocou todas as cadeiras de pernas para o ar. Assim que saiu para buscar o sabão em pó, as cadeiras rapidamente trocaram de lugar numa rapidez quase imperceptível pelos os olhos humanos adultos – talvez uma criança conseguisse ver.


- Vamos é a nossa chance, ela não notará a troca! – dizia a cadeira da esquerda. E assim fizeram a troca.


Depois de limpar toda a casa, a faxineira voltou cantarolando e começou a recolocar as cadeiras no lugar. Ajeita aqui, ajeita ali e de repente viu uma mancha no assento de uma delas.


- Chi, o patrão vai brigar comigo! Acho melhor colocar esta cadeira escondida.


Dito e feito. A faxineira trocou as cadeiras de posição instintivamente, voltando-as todas às posições originais.


A mesa, que segurava o riso, calmamente disse:
- Bem que eu tentei alertá-las, minhas queridas. Por baixo de mim já passaram tantas cadeiras que já perdi a conta. Vocês podem ser dignas e exemplares em suas tarefas, desde que façam com dedicação e vontade. A rebeldia nem sempre nos leva a caminhos seguros. Não queiram ser o que não são. Uma cadeira jamais poderá ser um quadro, nem tampouco uma geladeira. Vocês brigam por uma posição de destaque, mas esquecem que estou aqui sempre a protegê-las. Não existe uma cadeira melhor do que a outra, todas vocês têm uma importante função em uma casa. O que seria do mundo se todos nós quiséssemos ser cadeiras?
Após dizer estas palavras, a mesa sentiu-se reconfortada e feliz ao ver suas queridas pupilas pensativas e com um ligeiro sorriso nos lábios.


Hora do jantar!


Este texto foi criado para a disciplina de Literatura Infanto-juvenil na Pós-graduação em Língua Portuguesa e Literatura


(Flávio Vicente em 03/novembro/2008)

4 de novembro de 2008

A viagem do elefante




"O Brasil é quem lidera o ensino e a divulgação da língua pelo mundo. Temos de nos adaptar, para o nosso próprio bem, para a sobrevivência da nossa cultura"
(Saramago - Reportagem da FOLHA, caderno ILUSTRADA em 31 de outubro 2008)


Fique pensando ao ler a entrevista que ele deu à Folha, divulgando o seu novo livro A VIAGEM DO ELEFANTE que será lançado dia 27 de novembro no SESC Pinheiros :
"Só um escritor do porte dele tem a capacidade - e a coragem - de afirmar isso... e mais do que nunca eu admiro o trabalho dele, acima de tudo como ser humano."


Só quem tem manejo explêndido da língua portuguesa e uma grande capacidade fabuladora!!!

20 de outubro de 2008

O Corte e A Comunidade


Pode parecer bobagem, mas o desemprego é uma das principais causas de depressão nas pessoas. Às vezes passamos anos trabalhando em uma empresa, dando o nosso melhor, enfrentando inumeros desafios, criando soluções, resolvendo problemas e um dia.. booooommmmmm... o desemprego te pega! Nem sempre é por incompetência, às vezes pode ser corte, reestruturação ou automatização - a legítima dominação da máquina sobre o homem. Os tempos modernos têm produzido equipamento cada vez mais eficientes - contrapondo à falível capacidade humana.


Esta semana, lendo um artigo na pós-graduação que apresentava algumas possíveis "previsões" para o futuro da educação, pude perceber claramente este contexto. Digo 'possíveis' previsões porque tudo vai depender do tempo, aliás tudo é possível neste mundo, o que define o impossível é o tempo. Acho que viajei demais...! Enfim, o artigo falava, dentre outras coisas, que o papel do professor enquanto presença física será extinto. O aluno fará seus estudos de forma virtual, usando para isso um microcomputador. E se houver um professor, será apenas como caráter de suporte e/ou orientativo. Tudo bem que isso acontece hoje em dia nos cursos EAD, mas sempre temos um professor ali presente. Uau... pensei! As outras 14 suposições futurísticas têm o seu valor, algumas ainda futurísticas demais. Talvez estao mais para o filme Gattaca do que para nossa realidade atual, mas são pertinentes e merecem ser discutidas.

Um filme que mexeu profundamente com meus conceitos a este respeito - o desemprego e a (in)utilidade humana - foi "O corte" de Costa Gavras. No mesmo dia, (in)felizmente cai na bobeira de assistir "A comunidade" de Alejandro Gonzáles. Digo 'bobeira' porque são filmes extremamente fortes e cheios de situações únicas e humanas. Quando assisto filmes que mexem comigo, fico dias e dias assimiliando-os, remoendo, filosofando, questionando, analisando... agora imagine só quando são 2 grandes películas!!!!

Um questiona e aborda o desempre e o desespero das pessoas acometidas por esta desfavorável situação e o outro a ganância das pessoas e o que são capazes de fazer pelo poder e pelo dinheiro. Falando assim parecem filmes bobos e repetitivos, mas é que não quero contar nada que atrapalhe a quem vai assistí-los - afinal de contas não existe coisa pior do que ouvir uma pessoa contar o melhor do filme antes de tê-lo assistido! Ambos têm algo em comum muito forte!

O que somos capazes de fazer para atingirmos nossos objetivos? Até onde vamos quando nos sentimos ameaçados? Qual é o preço que estamos dispostos a pagar?

Quem garante que você não está sendo observado/manipulado em suas escolhas? Quem garante que o seu livre arbítrio não é fruto de manipulações alheias?

Não quero falar muito sobre os filmes para não estragar o prazer de quem irá assistí-los, mas uma coisa posso dizer: estes filmes mexeram profundamente comigo e com a minha forma de (re)pensar minhas atitudes!!!

Por hora ainda estou digerindo-os... e haja suco gástrico!!!!!

17 de outubro de 2008

Video "No meio do caminho" de Carlos Drummond de Andrade

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Este video foi gravado para ser apresentado na pós-graduação para o trabalho de final de módulo da disciplina "Metodologia do Ensino de Língua e Literatura: Produção de Atividades" (orientação teórica do Professor Yuri) desenvolvemos o tema "A transcriação na poesia". Para exemplificar a transcriação, nós usamos o poema "No meio do caminho" (Carlos Drummond de Andrade) com o poema "No mei do carmin da roça" (Cumpadi Zé).

O mais engraçado foi o processo de produção... as várias tomadas, as risadas, as improvisações, o texto... não só foi um prazer "transcriar" uma obra de um ícone da Literatura Brasileira, mas também um prazer enorme exercitar nossas porções artísticas - ah! que saudades do tempo em que eu fazia teatro!!!

Divirtam-se ao assistir, pois certamente foi feito com muito carinho.

Comentem, dê sua opinião e/ou sugestão.

Obs.: Postei abaixo o segundo video "Pneumotórax", também usado na apresentação do trabalho citado acima.

Video "Pneumotórax" de Manuel Bandeira

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Este video foi gravado para ser apresentado na pós-graduação para o trabalho de final de módulo da disciplina "Metodologia do Ensino de Língua e Literatura: Produção de Atividades" (orientação teórica do Professor Yuri) desenvolvemos o tema "A transcriação na poesia".

O mais engraçado foi o processo de produção... as várias tomadas, as risadas, as improvisações, o texto... não só foi um prazer "transcriar" uma obra de um ícone da Literatura Brasileira, mas também um prazer enorme exercitar nossas porções artísticas - ah! que saudades do tempo em que eu fazia teatro!!!


Comentem.
Comentários são sempre BENVINDOS.

13 de outubro de 2008

Veia entupida













Da janela frontal um rio preto, sujo, imundo

Água parada, estagnada, estancada
Reflete a luz do Sol tão bem
Mesmo sujo ainda conserva-se brilhante – mera ilusão
Um casal de capivaras nada tranquilamente
- Como a natureza animal se adapta fácil às adversidades!

Carros de um lado, motos de outro

Numa bagunça organizada

Mais poluição, mais gases, mais metano

Vrummmmm... Bibipppp....

- Sai da frente ôh!!!!

E mais um dedo levantado ao ar

Mais poluição, mais gases, mais metano

Agora comportamentais

Marginal


Lata, plástico, papel, alumínio

Fralda, tampas, rótulos, embalagens

Pneus, canudos, copos, sacolas

Periferia de lixo humano

Um colesterol metropolitano

Uma veia entupida

Menos uma para irrigar o coração cosmopolitano

Somos vermes, germes, bactérias, vírus

Poluímos o corpo em que vivemos

Destruímos o corpo que nos alimenta

Contaminamos nossa fonte de vida


Triste, fico triste


Para onde vai a nossa identidade imunda?

Ar, terra, água – nada nos escapa

Somos eficientes na destruição

Dementes na conservação


Triste



(“Dedicado” à Marginal Pinheiros – 13/10/2008)

6 de outubro de 2008

Um tal de OR7D4

Adoro ler artigos científicos, em sua maioria são curiosos e divertidos. Recentemente li um publicado na revista Nature em setembro de 2007 por cientistas das Universidades de Rockfeller e Duke (EUA), pude descobrir que a percepção do odor corporal é determinada por uma variante genética. Interessante entender que isto pode explicar o motivo de uma pessoa ter o suor desagradável para alguns e passar despercebido para outros. O "carinha" responsável por este trabalho é o receptor de odores chamado OR7D4.

Fiquei pensando nos odores dos perfumes, no cheiro da comida, do mar, do verde, de terra quando chove, das flores, dos excrementos animais... E não é que o olfato é determinante para nos proteger?!! Imagina só se você vai comer algo podre e estragado, mas invisível aos olhos?! Quem liga o alerta é o seu amigo bipartido que fica acima da sua amiga boca:

- Hey, este cheiro não é agradável! Não vá ingerir isto! Perigo, perigo, perigo!

A vida que levamos interfere em muito nos odores que exalamos. Eu, vegetariano mais de 10 anos, já li estudos científicos que provam esta teoria. Pessoas onívoras exalam odores mais fortes do que os veganos e/ou vegetarianos. Pessoas que ingerem muito álcool, muitos condimentos, muita química, certamente têm odores corporais mais fortes. A vida na cidade também interfere em nosso cheiro. Para contra-atacar, criamos perfumes, amaciantes, temperos, aromatizantes etc. Fui criado praticamente no meio do mato, nadando nos rios, andando pelas matas, subindo em pé de jaboticaba, abacate, mamão, manga, mexerica, laranja e até mesmo de jatobá - que cheiro forte esta fruta tinha!!!!!! Quando entro em casa, hoje em dia, a primeira coisa que sinto é o cheiro, antes mesmo de acender a luz. Salvo as exceções, que devem existir, todos acham agradável um cheirinho de bebê após o banho, aquele cheirinho de sabonete naquela pele tão pura e macia!


Quando você se sente atraído por uma outra pessoa, antes que você possa se dar conta, é o odor dos feromônios que você sentiu primeiro. Sim, somos animais, por mais que dizemos viver num mundo civilizado. (Olha a semelhança genética de 99% com o chipanzé!!!!!!). E por que algumas pessoas cheiram diferente das outras?

Todo sentido pode ser desenvolvido se for treinado, caso contrário, é atrofiado. Eu posso afirmar isso com muita maestria. Tenho uma priminha que nasceu com deficiência visual e nunca enxergou. Em contrapartida ela desenvolveu habilidades que fariam muitos a invejarem. Toca violão e canta afinadíssima como ninguém, é convidada para cantar em vários locais e chegou a gravar um CD, depois de tocar semanalmente na rádio local. A última vez que a vi, foi muito emocionante, pois não a encontrava mais de 5 anos. Minha tia pediu-me para entrar sem falar nada e sentar do lado dela. O desafio foi lançado quando minha tia disse à minha priminha:

- Renatinha, advinha quem chegou e está sentando ao seu lado?!

A sensação que tive é que ela já tinha sentido a minha presença - para dizer a verdade o meu cheiro. Ela tocou meu braço, desceu até minhas mãos tocando suavemente, quase por cima da pele, como seu eu tivesse uma camada de pele energética. Depois aproximou seu rosto do meu corpo e me cheirou, logo vi seu rosto iluminar e sorrir - nesta hora assustei, e ela gritou sorrindo:

- É o Flávioooooo, quanto tempoooooo! - me abraçou fortemente e não desgrudou de mim.

Confesso que minha vontade era de chorar sem parar, mas com imenso esforço consegui me conter.

Como uma garotinha que não enxergava com os olhos, podia sorrir, rir e ficar feliz com tanta facilidade???

E eu, que vejo perfeitamente - mesmo após uma intervenção lasik, fico chateado com problemas diários inúteis e insignificantes. Este acontecimento mudou a forma como eu, literalmente, vejo a vida, as pessoas, o verde, a natureza, as crianças e a mim mesmo!

No livro "Ensaio para a cegueira", as pessoas depois de perderem a visão, desenvolvem mecanismos de sobrevivência e seguem adiante - aos trancos e barrancos. Alguns usam esta deficiência para o bem, outros nem tanto. A responsabilidade do que faremos com nossas deficiências e eficiências é totalmente nossa. Não me arriscaria dizer que a visão seja o mais importante dos sentidos, pois ela tem seu papel primordial na nossa sobrevivência, mas sem dúvida alguma o olfato é o que mais nos mantém longe - ou perto - do perigo. Impossível não pensar no ditado popular: "O pior cego é aquele que vê e finge que não vê". E continuei refletindo... não é à toa que dizemos: "Isto não está me cheirando bem" quando queremos expressar algum problema, confusão ou situação embaraçosa. Ou mesmo quando não queremos a presença de uma pessoa e retalhamos: "O que você está cheirando aqui?".

E será que o tal OR7D4 seria um dos responsáveis por nossa sobrevivência?

Não sei não... mas confesso que tem horas que dá vontade de andar com meu Egöiste Platinum (Chanel) a punho e sair borrifando em algumas pessoas...! Para completar, jogaria um kit com sabonete, escova, pasta dental e claro, desodorante 24h com proteção hiper, mega, extra intensiva.

26 de setembro de 2008

Última bolacha no pacote e o Universo
















É tão engraçado imaginar que ninguém nunca soube o que existe (?) do outro lado. A vida parece ser um prêmio e a morte sempre uma maldição. Fazemos festa para uma criança que nasce e ficamos tristes quando alguém morre. O que é a morte e o que ela realmente representa para nós?

O planeta Terra é um minúsculo grão de areia no universo de galáxias existentes - é tão insignificante!
E pensar que existem pessoas que agem como se fossem a tão famosa "última bolacha do pacote"!
Sabemos que TODOS irão morrer, independente de cor, credo, orientação sexual... mas vivemos como se esta amarga realidade não fizesse parte de nossas vidas. Por que isso? Mas viver pensando na morte também não seria uma forma saudável de viver!

Este questionamento está insistente em minha mente nos últimos dias. Tenho um grande amigo, libriano, que está fazendo aniversário esta semana. Ele é uns anos mais novo do que eu, mas todo aniversário exercitamos as filosofias do envelhecer. Algumas vezes rimos, outras lamentamos... o tempo urge, queira você ou não, esteja aproveitando ou não.

Nossas prioridades mudam com o tempo, apesar de algumas pessoas insistirem em ficar paradas no tempo querendo ser jovens eternamente. Ser jovem tem a ver com nosso lado interior e pouco como o nosso lado físico-corporal. Podemos (e devemos!) nos cuidar, mas tem gente que falha na hora de olhar-se no espelho ou mesmo não deve ter um amigo verdadeiro, daqueles que nos dizem a verdade quando, por exemplo, perguntamos: Esta roupa está legal?! Meu cabelo ficou bom?!

Algo nos mantém vivos, ainda que várias pessoas exercitem suas pulsões de morte fumando desvairadamente, bebendo exageradamente, drogando intensamente etc. Uma força maior e de dimensão imensurável nos motiva a crescer, trabalhar, procriar, buscar poder, força, prazer, alegrias... O que é isso e de onde vem?

Uns nomeam esta "energia" de Deus, outros de Universo, alguns de Espíritos, outros nem pensam nisso!
Não estou aqui tentando questionar as crenças de ninguém, até porque ninguém nunca provou a veracidade de nenhuma delas. Até hoje não provamos nem a origem do homo sapiens, imagina então do universo! Alimentamos mais suposições e teses do que certeza e verdades inquestionáveis!

Acho EXPLÊNDIDO o corpo humano, as plantas, os animais, o Sol, a Lua, a Terra, as células, o mar, o átomo, o ar... isso tudo me deixa extasiado... mas não representa nenhuma prova da existência de vida após morte - ou qualquer situação semelhante à vida que mantemos por aqui.

Pessoas descrevem experiências das mais variadas espécies, viagens astrais e inúmeras sensações, mas ninguém realmente consegue provar ou ver o que nos espera do outro lado.

Um assassino da pior espécie precisa ser punido aqui, pois se tivéssemos CERTEZA do que nos espera do outro lado, não precisaríamos fazer nada, era só esperar a sua 'morte' para que ele pagasse pelos seus "erros e pecados".

Parece sensato afirmar que alguém nos criou - sim parece! Alguma força ou energia nos criou e nos colocou aqui neste planeta com o intuito de procriar. Não consigo entender isso!!!!!!! Não sou ateu, não sou judeu, não sou fariseu... apenas exerço a minha capacidade de pensar, levantar dúvidas para poucas respostas!

Posso estar parecendo pessimista levantando estas questões, mas nada mais são do que pensamentos... gotas fora da caneca... questionamentos... expurgos existenciais e metafísicos!

Se você mais julga do que compreende, certamente tem um desafio a transpor.
Se você não acredita no senso comum apenas porque a maioria crê, não está sozinho.
Se você procura resposta e só consegue mais perguntas, fico feliz.
Se você é um desbravador mental de seus medos, dúvidas e incertezas, não é único.
Melhor seguir os passos de quem já trilhou estas cavernas sombrias... dá-lhe Nietzsche!
"Quanto mais nos elevamos, menores parecemos aos olhos daqueles que não sabem voar."

"Odeio as almas estreitas, sem bálsamo e sem veneno, feitas sem nada de bondade e sem nada de maldade."

"Qualquer grande homem possui força retroativa: força a reconsideração da totalidade da história; milhares de segredos do passado saem de seus esconderijos para se iluminarem à sua luz. Ninguém pode prever o que acontecerá a história. Essencialmente, o passado talvez ainda continue por ser explorado! Necessitamos ainda tantas forças retroativas!"
Friedrich Nietzsche

22 de setembro de 2008

Visão para a cegueira



Como sou admirador dos trabalhos do Fernando Meirelles desde o filme Domésticas, não via a hora de poder assistir a personificação dos personagens "anônimos" da obra de Saramago "Ensaio sobre a cegueira" - numa versão mais hollywoodiana "Blindness". Para quem não tenha lido a obra ainda, é importante saber que os personagens não são caracterizados por nomes próprios e sim por substantivos/adjetivos: mulher do médico, médico, rapariga dos óculos escuros etc. Hoje em dia é muito comum best sellers serem transpostos para o cinema. Uns se tornam verdadeiras obras-primas, enquanto outros nunca deveriam ter saído das páginas do livro. Esta responsabilidade é quase total do diretor. Depois de finalizar a leitura do livro, eu estava muito ansioso para assistí-lo. Talvez esta ansiedade tenha sido gerada devido a presença de fatos chocantes e delicados tratados na obra. No filme, os personagens vão perdendo a visão misteriosamente e sem uma causa com justificativa médica. Diferente da cegueira tradicional, todos vão adquirindo uma cegueira branca. São urgentemente reunidos pelo Governo e colocados em um hospital psiquiátrico em quarentena. Ai que os problemas começam, pois são privados de cuidado pessoal e vivem sob condições desumanas. São divididos em alas e rapidamente começam os conflitos de convivência, poder e ganância. A única pessoa que enxerga é a mulher do médico (Julianne Moore) e, por esta razão, acaba se tornando, de certa forma, a mãe de todos. Nas cenas seguintes assistimos a estupros, traições, crueldade, imundices, fome e mais uma infinidade de comportamento humano diante das adversidades que a vida nos coloca. Os atores foram escolhidos com esmero e maestria. Os cenários, em sua maioria são locações externas, trazem uma São Paulo suja e imunda, mas charmosa. Locações em Montevidéu e Canadá dão um ar mais cinza no enredo.
O filme é uma espécie de "ame-me ou deixe-me", não há meio termo.

Enquanto eu esperava pelo início da sessão, fiquei atento aos comentários das pessoas que aguardavam nas filas e na saída da sessão anterior.
Em sua maioria, saíam com cara de "questionamento". Uns pareciam estar em êxtase, outros balbuciavam irritados:
- Não entendi nada! Que filme maluco!
Fique pensando em como alguém pode sentar por duas horas para assistir a um filme e sair de lá dizendo não ter entendido nada?!

As pessoas estão acostumadas a sentar nas poltronas de seus lares e verem filmes fáceis de serem digeridos. A cultura atual da televisão é moldada sobre a cultura do fácil: você senta e sem esforço algum assiste a tudo que se passa em sua frente. Deixa a mente vagar como um zumbi tecnológico.
Quando um filme nos tira deste sossego torpe, temos a tendência em rotulá-lo de "ruim". Nem tudo o que não entendemos pode ser caracterizado de ruim - isto é um preconceiro dos mais grosseiros. Cada filme tem um propósito ao ser produzido, uns foram feitos para nos divertir, outros rir, alguns chorar e outros questionar. No caso de "Ensaio", eu já tinha lido a obra e já sabia o que me esperava nas telas. Certamente, algumas pessoas que estavam de bobeira no shopping e resolveram ir ao cinema... olharam o cartaz, acharam interessante e resolveram entrar.
Quando fazemos isso, temos que ter a consciência do que pode nos esperar. Sempre tem algo interessante a analisar, ver, pensar, apreciar.

Voltando ao "Ensaio"... sai da sala introspectivo aos extremos:
O que nós, seres humanos, somos capazes de fazer para conseguirmos o que queremos?
Qual o preço que pagamos para atingir nossos objetivos?
O que realmente importa, em nossa vida, quando perdemos o conforto material?
É fácil sermos civilizados quando estamos no conforto de nossa casa, do nosso carro e do nosso trabalho. E quando somos privados de nossas necessidades básicas, tais como visão, comida e higiene?
Enxergar é, sem dúvida alguma, uma das melhores coisas da vida. Não só o olhar físico, mas a capacidade de atravessar fronteiras e barreiras. Estar disposto a abrir os olhos diante daquilo que nos cega. Enfrentar o obscuro em busca da luz no final do túnel. Todos os grandes homens da humanidade foram pessoas que enxergavam além do óbvio, além do mediano em que a maioria das pessoas habitam.

O que você vê quando fecha os olhos e encara a sua escuridão pessoal?
Que tipo de claridade você busca quando fecha os olhos diante da vida, das pessoas e dos problemas? Sua cegueira é construída em cima de quais valores?

5 de setembro de 2008

Pegajosa e Doce

Ainda estou chocado com a comoção e a desordem gerada em São Paulo na venda de ingressos para a Turnê Internacional Sticky & Sweet da Mega Diva Cantora Mãe Atriz Dançarina Produtora Empresária e Sexy Simbol Madonna Louise Veronica Ciccone. Impossível não ficar contrariado com tamanho descaso e desorganização da empresa que está subsidiando este evento aqui no Brasil. Não posso deixar de considerar que estamos na maior cidade do país, e que São Paulo é uma das maiores cidades do mundo. Quando li que a cada dia da turnê o estádio comportará em média 75 mil pessoas, fiquei boquiaberto. Imaginei a cena, a multidão, os movimentos, os gritos, a alegria, o choro, a emoção... serão mais de 150 mil súditos para ver a Rainha.
Fiquei pasmo ao ver já na segunda-feira, pessoas de barracas montadas na porta do Credicard Hall à espera do início das vendas dos ingressos. Detalhe: o início foi na quarta-feira ao meio-dia, dois dias depois que os primeiros peregrinos começaram a se instalar na fila. Uma multidão foi se aglomerando. Cada um deve ter sua história de vida, sua razão para estar ali e seus motivos - fique pensando. Pessoas que venderam objetos pessoais, outras pediram demissão para resgatar o FGTS e assim poder usá-lo na compra dos ingressos.

Estava eu à meia-noite do dia 03 de setembro esperando o início das vendas on line, mouse e olhos preparados para a largada (e imaginando a quantidade de pessoas que estariam na mesma situação naquele exato momento). Três, dois, um... já! Inicia-se um processo infinito de clique-clique irritante e angustiante. Página fora do ar, servidores sobrecarregados, F5 insistente e nada! Para um fã, quando mais perto da sua musa, melhor. A frustração também é inversamente proporcional à distância. Receber a saliva "sagrada" de sua musa é motivo de alegria. Quem sabe numa destas ela joga um chapéu, um lenço ou uma gota de suor mesmo.
Já passava das 02h da manhã e nada de eu conseguir efetuar a compra. Comecei a meditar, respirar, rezar para um santo que nem existe ainda: o São Padroeiro dos Ingressos!
Uma amiga chegou na fila de um ponto-de-venda às 05h da manhã e só foi conseguir sair de lá, com ingressos nas mãos, às 22h contente e sorrindo pela conquista, diga-se de passagem. Disse que era a realização de um sonho. Para um outro fã ouvir isto é compreensível, mas imagino para uma pessoa anti-Madonna. Deve achar que a minha amiga é uma mãe desocupada e maluca.
Este fato me fez lembrar de Lênin. Ele pregava que uma das formas de agradar o povo é oferecer algo muito desconfortável por um bom tempo e depois dar algo médio para compensar. Assim o ruim deixará de ser tão ruim e passa a ser até certo ponto desejado. O tal bode expiatório vem a calhar.

Sou um tanto suspeito para afirmar qualquer coisa em relação à Madonna. Jamais esquecerei quando em 1985 eu vi na TV uma mulher vestida de noiva enrolada na grinalda, rolando pelo chão, gemendo e cantando "Like a Virgin". Fui fisgado ali... o adolescente no ápice de seus hormônios sendo atraído por uma figura que pregava o despudor sexual e comportamental. Aquilo foi suficiente! A partir de então, tal como um fã incondicional, comecei a seguir seus passos e sua carreira - construída milimetricamente planejada (ao contrário do que muitos pensam).
Amigos mais próximos já conhecem esta minha fixação por ela. Diria que hoje, já mais maduro, não sou mais tão louco-desvairado assim. Consigo esperar 1 dia para comprar um CD novo, um DVD lançado e/ou qualquer outro objeto que tenha sido "criado" pela deusa. Antes eu recortava até manchetes de jornal que mencionavam o nome dela (quanta paciência e quanto tempo eu tinha naquela época!). Hoje não me vejo dias na fila esperando o lançamento de um DVD ou a venda ingressos para um show, mas ainda assim fico umas horinhas sem stress. Hoje não recorto toda e qualquer reportagem que leia em revistas e jornais, mas não consigo ficar sem lê-las. Já não uso camisetas com suas fotos e letras de músicas, mas ainda assim sustento fotos dela na parede do meu quarto. As prioridades com o tempo mudam. adquirimos umas e abandonamos outras.

Fiquei pensando no que atrai milhões de pessoas a ver uma outra pessoa de estatura baixa (ela tem menos de 1,60m), miudinha, voz fina e beleza comum. Hoje consigo analisar assim, mas se alguém me dissesse tudo isso há alguns anos atrás eu teria criado um legítimo "quebra-quebra" em defesa da imagem da deusa - quanta inocência!
Feia ela não é, mas fica difícil concorrer com uma Nicole Kidman, uma Gisele Bundchen e mais uma legião de mulheres perfeitas moldadas a plásticas, silicones, botox etc; estupenda cantora sabemos que ela não é, mas fica difícil concorrer com a voz de Alicia Keys, Alanis Morissette, Rihanna; ótima dançarina ela não é, mas fica difícil compará-la com uma Débora Colker, Ana Botafogo. Então deduzo que o que admiramos nela certamente não é o esmero físico ou atributos estéticos apenas.

Ela é uma legítima leonina, e como bons leoninos somos de coração bom, sensíveis e muito decididos. Somos vaidosos, alegres, críticos e objetivos. Isso eu até consigo entender facilmente, pois são caraceterísticas que tenho em mim mesmo. Outras questões insistem:
Como uma pessoa consegue movimentar tanta energia em tantas pessoas ao mesmo tempo?
Ela não tem idéia total deste poder - afinal de contas ela não está no dia-a-dia destas pessoas. No máximo ela fica informada de números, cifras, reportagens e retorno financeiro.
Então me resta uma linha de raciocínio. De todas as mulheres midiáticas, ela foi a única (e pioneira) a falar de sexo de forma mais aberta, mais agressiva, mais desafiadora e mais provocante. Brincou com tabus sexuais, com preferências, com o proibido e prazeres ocultos. Isso em plena década de oitenta. Hoje existe uma legião de seguidoras e clones. Todas tentando seguir o rastro deixado pela MÃEdonna - Britney Spears, Kylie Minogue, Christina Aguilera, Gwen Stefani - emitando aparência física e até mesmo tentando ser polêmicas.
Um fato jamais esquecerei. Quando o Papa, na época o nosso saudoso João Paulo II, disse que queria vê-la, ela respondeu: "se ele quiser me ver, pode assistir ao meu show!"
Claro que a intenção dele era justamente "catequisá-la", pois este fato aconteceu bem na época que ela estava pondo fogo em cruzes e beijando santos (Like a Prayer), mas para ela não passou de uma oportunidade de mostrar o poder que mantém.

Tudo tem um preço nesta vida. Recentemente seu irmão mais novo, Christopher Ciccone, resolveu lançar uma biografia onde conta fatos íntimos e pessoais de sua irmã famosa. Ele foi o responsável pelo cenário de suas duas últimas turnês mundiais. No primeiro momento, fiquei pensando na ingratidão e desrespeito que ele teve ao lançar tal livro. Ela é sua irmã, poxa! E não é uma irmã como as que temos. É uma pessoa extremamente visada, conhecida e responsável por ditar comportamentos no mundo tudo. O que ele quer com isso? Mostar que ele tem mais poder do que ela ou está apenas exercitando a sua frustração por algo pessoal que tenha acontecido entre os dois? Por enquanto ainda não saiu aqui no Brasil, então só esperar e ler para entender os reais motivos para tamanha ingratidão (isto é, se a tradução for de boa qualidade).

Depois de experimentar o mundo e o mundano (mesmo acreditando que o que vemos dela não é exatamente o que ela é, mas o que ela quer que vemos), resolveu casar, criar filhos e morar numa "fazenda" nos arredores de Londres. Pratica yôga, cabala e ótimos hábitos alimentares e esportivos. Está impecável no auge dos seus 50 anos! Até a voz amadureceu, ficou mais afinada - consegue atingir tons antes impossíveis. Está com corpo mais firme - resultado de horas na academia e no yôga. Escreveu uma coleção de livros infantis. Lançou um documentário onde teve intenção de mostrar-se mais humana, mais perto de nós simples mortais. Adotou uma criança negra e órfã, gerou protestos no mundo todo com esta atitude.

Got no boundaries and no limits
If there's excitement, put me in it
If it's against the law, arrest me
If you can handle it, undress me
(Give it to me - Madonna)

Eu me pergunto: Por que, nós seres humanos, temos a necessidade visceral de idolatrar outros seres humanos como se fossem deuses imortais?

P.S.:
Acabei de ler que ela fará outro show na cidade do Rio de Janeiro. No total serão 4 shows no Brasil. Nosso país é mesmo assim, exagerado em tudo: na bondade, na amizade, na geografia, no talento, na beleza e na amistosidade. Temos em nós uma inexplicável necessidade de agradar os "gringos" que nos visitam. Eu me divirto...

P.S.:
Acabei de saber, novamente, que ela fará um quinto show no Brasil. Agora serão 3 em São Paulo (18, 20 e 21 de dezembro) e 2 no Rio (14 e 15 dezembro). Uau... isso que é ter admiradores!!!